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Existe um certo jogo de expectativas que envolve o suspense e seus dispositivos, jogo que encaramos com cada vez mais cinismo a medida que ficamos escolados nesse gênero. Em termos de lançamentos recentes, encontramos muito mais exemplares que se rendem aos clichês habituais – ás vezes funciona, outras não – do que aqueles que se dispõe a desconstruir as estruturas comuns. Dentre vários outros, esse é um dos grandes méritos de O Presente, estreia do ator Joel Edgerton na direção.

Simon (Jason Bateman) e Robyn (Rebecca Hall) formam um casal feliz que acaba de se mudar para uma nova e bela casa. Logo nos primeiros dias no novo lar o casal é abordado por Gordo (Joel Edgerton), um antigo colega de classe de quem Simon mal se lembrava. Inicialmente Gordo se mostra simpático e prestativo, com visitas e presentes, mas o que começa como uma tentativa amigável de aproximação se transforma em um problema graças a um segredo que envolve o passado de ambos. Agora Robyn tem que decidir se confia na palavra de seu marido, ou se tenta desvendar o mistério sobre seu passado.

Dá pra dizer que os primeiros trinta minutos de filme servem como um teste para o cinismo que eu citei lá em cima, pois o andamento desse ato é bastante lento e se mostra como um típico “stalker movie”, daqueles que o SuperCine passa sábado sim, sábado não. Não é o inicio mais animador pra quem espera um bom suspense. Só que a partir desse momento, tudo o que foi projetado para o filme se transforma em uma série de quebras de expectativas e desconstrução de clichês, ainda com um ritmo cadenciado, mas que não soa mais como enrolação e sim como uma consciência muito grande de como se quer contar a história.

THE GIFT

“Só porque você superou o passado,

não significa que o passado tenha superado você”

A frase que estampa o pôster do filme diz muito sobre sua proposta, mostrar que mesmo que você se arrependa ou esqueça daquilo que você já fez para alguém, esse alguém pode não ter esquecido e uma hora você será alcançado pelas consequências. E não só no sentido mais direto de fazer, apenas suas palavras podem trazer consequências devastadoras na vida de outra pessoa, pois o desenrolar dos fatos é imprevisível e o poder de uma ideia é simplesmente avassalador.

O elenco principal tem grande responsabilidade no excelente resultado. Jason Bateman tem a melhor atuação de sua carreira, construindo um personagem cheio de dubiedades e que consegue transitar bem entre o bom marido e o homem inescrupuloso e explosivo. Joel Edgerton faz um homem que foge das afetações comuns em personagens do tipo, contido, minimalista e com as motivações internalizadas, de forma que sua presença em cena é inquietante. Rebecca Hall é mais discreta, mas também está ótima no papel de uma mulher com traumas e frente a uma grande dúvida.

Enfim, O Presente é um suspense muito eficiente e satisfatório, com uma trama relevante que fala sobre um assunto bastante atual, o bullying. Ótimas atuações, uma fotografia fria, um ótimo trabalho de iluminação e uma trilha sonora coerente. Um dos melhores suspenses de 2015.

Nota: 8,5

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