Quando o cinema nacional se recorda de que existem outros gêneros a serem explorados, além da comédia, somos lembrados de quanto talento temos nas mãos, basta usá-lo com mais frequência.

Fernando Coimbra, nome recorrente nos festivais de cinema nacional, há mais de vinte anos trabalhando com curtas-metragens que rodam o mundo, mas que raramente chegam ao conhecimento do grande público, resolveu se aventurar nos longas agora. Sua excepcional estreia acontece em um filme de gênero pouco aproveitado por aqui, o suspense policial.

Sylvia (Fabiula Nascimento) se vê sem chão quando descobre que sua filha desaparecera da creche em que estuda, sendo levada por uma misteriosa mulher. Entre as suspeitas está Rosa (Leandra Leal), suposta amante do pai da garota, Bernardo (Milhem Cortaz). Em meio à investigação policial, várias versões da história vão sendo contadas para remontar esse quebra-cabeça e desvendar o paradeiro da menina.

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A investigação se resume aos depoimentos colhidos pelo Delegado (Juliano Cazarré), e esses vão se moldando na tela em forma de flashbacks que não representam claramente os fatos, mas sim as versões de cada um para o acontecido. Essa escolha do diretor colabora para a criação do mistério na cabeça do espectador, além de nos apresentar melhor aos personagens. Nesses momentos conhecemos a dubiedade de cada um deles, a maneira como o pacato pai de família e a amante iludida e apaixonada reagem ao serem ameaçados, mostrando quem realmente são.

O elenco inteiro entrega atuações seguras, com destaque para Leandra Leal que realmente impressiona por seu poder de alternância de personalidade, e Juliano Cazarré, responsável pelos poucos momentos em que cabem risos no filme, ainda que esses saiam nervosamente. Um ponto recorrente no longa, que começa soando apropriado, mas que cansa um pouco no seu decorrer é o uso de extensos planos estáticos, ora eles focam em diálogos relevantes e expressões significativas, ora exageram nos momentos de contemplação e silêncio, que acabam soando um pouco deslocados.

Antes de começar a assistir não sabia que se tratava de uma história real, mesmo assim a descoberta do culpado foi previsível. Na verdade a identidade do culpado é previsível, a descoberta segura bem o mistério. O desfecho é impactante e desconcertante, daqueles que te jogam no chão.

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Enfim, O Lobo Atrás da Porta é um filmaço, bem realizado, bem atuado e muito bem escrito, que te prende do inicio ao fim. Fernando Coimbra chega com o pé na porta e entra pra caderneta de cineastas brasileiros que temos que ficar de olho, entregando um dos grandes filmes nacionais dos últimos anos.

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Avaliação.
Ótimo

Vinicius Salazar

Co-criador e palpiteiro do TaxiCafe. Editor do Podcast Chutão.

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