Crítica: O Bom Dinossauro (The Good Dinosaur – 2015)

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O Bom Dinossauro foi a mais problemática das produções da Pixar. O roteiro foi escrito e reescrito e passou por muitas mãos. O diretor inicialmente escolhido também foi substituído o que fez com que o lançamento, anteriormente previsto para o final de 2013, fosse protelado para 2014 e depois para o final de 2015. No Brasil o filme chega aos cinemas nessa quinta-feira, 7 de janeiro.

A trama parte do pressuposto de que o asteroide que atingiu o planeta há milhões de anos, alterou seu curso, o que fez com que os dinossauros nunca tivessem sido extintos. Nessas circunstâncias conhecemos Arlo, o caçula dos três filhos de uma família de apatossauros. Diferente de seus irmãos, Arlo é pequeno e desajeitado, além de muito medroso, o que o faz ser péssimo nos afazeres cotidianos, mesmo contando com o incentivo de seus pais. Depois de passar por vários problemas, Arlo tem a chance de matar a criatura que está roubando a comida que sua família armazena para o inverno, mas por pena acaba deixando-o fugir ao descobrir que o ladrãozinho é um menino humano primitivo. Sua tentativa de consertar as coisas acaba o afastando de sua casa, e agora ele contará com a ajuda do garotinho para encontrar o caminho de volta.

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O Bom Dinossauro nem de longe é o melhor filme da Pixar, tampouco é o pior, mas este pode ser o único exemplar do estúdio que pode ser categorizado como esquecível. Pode se ver claramente a influência negativa que a passagem por cinco escritores diferentes causou ao roteiro. A história parece fragmentada demais, e cada um desses compartimentos traz muito de conceitos já vistos em outras animações. Temos muito de O Rei Leão, pitadas de Toy Story, Mogli e Procurando Nemo, mas não em forma de homenagem, mas sim de reciclagem de ideias. Outro fator um pouco problemático é o tom da animação. O protagonista é carismático e é fácil se apegar a ele, apesar de seu excesso de fragilidade, mas sua jornada é muito sofrida. Há momentos mais leves, mas são poucos se comparados aos densos. A trilha sonora acaba reforçando esse melodrama.

Há pontos positivos, é claro, a beleza dos cenários, a pericia técnica habitual do estúdio, tudo isso segue impecável. Spot, o menino primitivo coadjuvante, é engraçadinho e rouba a cena, mas acaba não sendo o suficiente. Enfim, O Bom Dinossauro pode entediar as crianças por suas poucas piadas e ritmo lento, e incomodar os adultos por sua trama excessivamente derivada, mas ainda assim não pode ser considerado um filme ruim, só não acho que valha uma ida ao cinema.

Nota: 6,0   

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