Crítica: Noite sem fim (Run All Night)

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Confesso que eu nunca achei que Liam Neeson fosse um ator espetacular (ainda não acho), ele é competente, é verdade, se bem dirigido pode entregar ótimas atuações, mas nada além disso. Mas existe um aspecto dele que tem de ser ressaltado, a habilidade com que ele conduziu a carreira, poucos atores souberam “combinar” tão bem a fase de sua vida com o tipo de filme que faria. Hoje, passando dos sessenta anos de idade, o ator redefiniu seu estilo e praticamente tomou pra si um subgênero que tinha sido abandonado lá na década de 80, os filmes de ação com “coroas fodões”, e ninguém atualmente encarna tão bem esse tipo como ele.

Em ‘Noite sem fim (Run All Night)’, Neeson vive Jimmy Conlon, um experiente matador da máfia que se encontra em um dilema quando seu filho que não o vê há anos, e que o renega veementemente, entra na mira de seu empregador, o mafioso Shawn Maguire (Ed Harris – com o pior nome de mafioso de todos os tempos), chefe e amigo de longa data de Jimmy. Agora cabe a Jimmy buscar sua redenção para com o filho, protegendo-o das investidas da máfia.

Apesar de fugir do esquema clichê de “o último trabalho do matador”, dá pra ver que os plots originais não são o forte desses filmes de ação, ainda bem que ele não se resume a isso. Em sua terceira colaboração com o diretor Jaume Collet-Serra, que também o dirigiu em ‘Desconhecido’ e ‘Sem Escalas’, Neeson volta a acertar em cheio na audiência e com um pouco mais de substância dessa vez.

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O longa funciona como thriller de ação frenético, com ótimas sequências e um visual muito atrativo que se adapta perfeitamente ao local onde se passa o filme, Nova York, a cidade que não dorme. Collet-Serra faz ótimo uso das câmeras lentas, também das cores pesadas e principalmente das “transições aéreas”, que funcionam muito bem. Apesar de o filme se passar basicamente em uma noite, a narrativa não se apressa a ponto de atrapalhar as coisas, pelo contrário, o senso de urgência ajuda e muito no ritmo da fita.

Além de funcionar nos aspectos mais básicos de um filme de ação, ‘Noite sem fim’ se destaca pela trama e por seu desenvolvimento. Você não precisa desligar o cérebro para curtir aqui, a história de redenção do personagem de Neeson pode não ser original, mas ela é muito bem conduzida e o investimento emocional dos personagens é palpável. O espectador consegue sentir o peso dos embates pai x seu filho e homem x seu amigo, graças a um bom texto e ótimas atuações, principalmente de Ed Harris. O restante do elenco vai muito bem, destacando a participação especial de Vincent D’onofrio, que parece ter sido redescoberto pela indústria, além de seu excepcional trabalho como Wilson Fisk em Demolidor, ele já está confirmado no remake de ‘Sete homens e um destino’.

Enfim, é louvável que Neeson saiba manter o controle sobre suas escolhas, estrelando sempre filmes competentes e divertidos. ‘Noite sem fim’ é mais dos ótimos exemplares para seu currículo, apesar de um ou outro furo no roteiro, trata-se de um thriller muito bem executado e com mais substância do que aparenta ter. Vale o ingresso.

 

Nota: 8,0

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