Quem assiste a muitos filmes esportivos, especialmente filmes de boxe, sabe que existe uma estrutura padrão que é vista em 98% dessas obras. O drama particular, a queda, o treinador sábio e conselheiro, porém rabugento, o rival-mal-encarado-falastrão, a montagem de treino com uma música empolgante, a luta final e a redenção. Básico. ‘Nocaute’ não foge a nenhum desses dispositivos. Ele é extremamente convencional e clichê. Mas como eu já disse aqui repetidas vezes, clichê só é defeito quando mal trabalhado. E não é o caso aqui.

Billy Hope (Jake Gyllenhaal) é um ótimo boxeador, que teve uma vida sofrida, mas hoje desfruta do prestígio de ser um grande campeão. Ele tem uma esposa e filha amorosas e dedicadas, e tirando as eventuais porradas e lesões, tudo corre muito bem. Até que uma série de incidentes faz tudo desmoronar. Billy perde praticamente tudo o que é importante para si, e agora terá que buscar forças para recuperar sua vida. Ou o que sobrou dela.

O longa é dirigido por Antoine Fuqua, de filmes como ‘Dia de Treinamento’ e ‘O Protetor’, que reapresenta várias de suas características habituais aqui. Seus filmes tendem a buscar ser mais “graves” do que o necessário, e ‘Nocaute’ não foge a essa regra. O drama é pesado e massacrante para o espectador. O diretor se esforça para quebrar o emocional de seu protagonista e ganhar a empatia de quem assiste com isso. É verdade que essa estratégia funciona, mas derrapa um pouco pelo exagero. Outras características comuns de Fuqua são vistas aqui, como a ambientação de subúrbio nova iorquino que visa buscar um apelo social, ou a duração exagerada do longa, que passaria facilmente com uns 15 minutos a menos.

SOUTHPAW

O que faz ‘Nocaute’ se sobressair em meio a outros filmes de boxe, sem dúvida é o fator atuação. Inclusive, fica a impressão de que é o típico filme feito para um ator se destacar, sem focar tanto em outros elementos. E o ator se destaca, Jake Gyllenhaal é um monstro. Ele sai de momentos depressivos e surras emocionais, para um pai e marido apaixonado, para um homem furioso e com problemas de auto-controle, todos com uma solidez inacreditável. Seus olhos, sua postura, seu tom de voz, trabalho de um cara que estudou o personagem e o construiu com todo cuidado e competência possíveis. Candidato a indicação ao Oscar.

Rachel McAdams vai muito bem no papel de esposa, seu amor e preocupação pelo marido são reais. A jovem Oona Laurence também dá um show, na pele da filha de Billy ela faz um trabalho maduro e cheio de contrastes emocionais. Forest Whitaker, Naomie Harris, Miguel Gomez e 50 Cent estão funcionais. Não se destacam, mas também não atrapalham. A música, composta pelo falecido James Horner, é muito boa e contribuí para o peso dramático do longa.

Enfim, ‘Nocaute’ não é um filme original, tem alguns momentos de clara manipulação emocional, mas é bem feito. As cenas de luta tem um aspecto televisivo muito bem construído, o protagonista dá um show e os clichês (que são muitos) são bem trabalhados. Vale a pena.

Nota: 7,5

0 Total Views 0 Views Today

Vinicius Salazar

Co-criador e palpiteiro do TaxiCafe. Editor do Podcast Chutão.

More Posts

Follow Me:
TwitterFacebook



Está no seu momento de descanso né? Entao clique aqui! À toa na Net - Agregador de Conteúdo
Total