Crítica: Maze Runner | Há esperança para os futuros distópicos

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Depois da 25° adaptação literária adolescente passada em um futuro distópico, as pessoas que não são o público alvo desse nicho de produção acabam desistindo de investir seu tempo e dinheiro em “mais um filme igual ao outro que saiu semana passada”. Adotar esse tipo de mecanismo de defesa acaba livrando o público mais exigente de topar com um “Divergente” ou “Doador de Memórias” por aí. Em contrapartida, essa atitude pode ter afastado muita gente (eu) de Maze Runner, que se não é a maior maravilha da sétima arte, pelo menos cumpre bem o propósito de entreter e cativar o público.

 

Maze Runner, que no Brasil ganhou o desnecessário subtítulo de “Correr ou Morrer”, abre com um jovem desmemoriado, Thomas (Dylan O’Brien), acordando no meio de uma clareira cercada por muros altíssimos que delimitam um complexo labirinto. Lá ele encontra diversos outros garotos da sua mesma faixa etária e que passaram por essa mesma situação. Sem saber como ou o porquê de terem ido parar lá, eles vivem de maneira organizada sempre tentando desvendar os segredos desse labirinto, além de sobreviver aos ataques das estranhas criaturas que lá habitam, para, quem sabe, conseguir fugir dali um dia.

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O inicio do filme é bastante eficiente, o espectador compra a confusão do protagonista e a estranheza que se instaura ao chegar nesse misterioso local. A maneira como é mostrada a convivência dos garotos que já estão lá também é bem construída, a organização que eles criaram é interessante e plausível, cada garoto tem sua função naquela sociedade e cada um deles tem suas diferenças na personalidade, isso faz com que os personagens coadjuvantes não passem a sensação de descartabilidade como é comum em outros filmes.

 

Obviamente o que rege não só a primeira parte, mas toda a extensão do filme é o mistério: quem os colocou ali e por quê? E esse mistério é mostrado de maneira a provocar o interesse de quem assiste, os lampejos de memória que o protagonista tem ajudam a conceber esse questionamento de maneira bastante intrigante. Como é de praxe, o nosso protagonista é o cara que vai ser a fagulha para mudar a situação em que o grupo se encontra, criando assim apoiadores e rivais para sua causa. A rivalização se personifica em Gally (Will Poulter), um dos integrantes mais importantes do grupo e que se mostra como uma interessante referência ao mito da caverna de Platão.

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O filme também é tecnicamente bem executado, bem fotografado e com cenas de ação muito bem filmadas. O único demérito nesse sentido fica com o estreante diretor Wes Ball, que não conseguiu dar ao labirinto a imponência que o desenvolvimento pedia, principalmente quando as tomadas aéreas entregam suas dimensões. O elenco coadjuvante vai muito bem, mas os protagonistas Dylan O’Brien e Kaya Scodelario que são bons atores, sofrem com a falta de material para trabalhar. Dylan vai bem de confuso para libertador, mas falta uma maior empatia em seu personagem, enquanto Kaya está completamente inútil. Sua personagem poderia trazer uma nova dinâmica para o grupo, mas isso não é feito, ela aparece apenas para enfeitar as cenas e fazer carinha de desentendida.

 

Existem outros defeitos aqui, como uma tentativa de fazer uma cena engraçada que acaba por ser ridícula, ou a insistência em querer criar momentos tocantes onde não havia necessidade (só um funciona, de fato), sem falar em uma cena que não faz o menor sentido que acontece já no finalzinho, chega a ser patética. Mas no geral, Maze Runner se sobressai em comparação a outros lançamentos desse interminável nicho, com um mistério interessante (apesar do desfecho questionável), boas cenas de ação e um elenco competente acaba sendo um entretenimento bastante válido. Tem tudo pra ser a mais (ou única) interessante saga dessa nova e extensa safra.

 

Nota: 7,5

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