Crítica: Malice in Wonderland – Alguém achou a toca do Coelho

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Eu sou muito apaixonado por Alice no País das Maravilhas, o livro de Lewis Carroll. Acho fantástico como o autor conseguiu encher a história de referências, sem falar nas altas doses de surrealismo e nonsense. Digamos que essa história tem uma importância muito grande no meu desenvolvimento como leitor e até como cinéfilo.

 

O livro original junto de sua continuação, Através do Espelho, somam mais de 30 adaptações e releituras, entre filmes, séries e minisséries, mas pouquíssimas delas conseguiram transmitir nas telas a maluquice do livro, e eu nem estou falando de ser fiel a história, mas de construir a atmosfera psicodélica que a obra pede. A minha adaptação favorita e que chegou mais perto desse efeito, foi a animação da Disney de 1951, é, já faz um tempo.

 

Enfim, dentre as dezenas de adaptações (incluindo uma com a Sasha Grey, que também é válida), uma acabou caindo no meu colo graças a Netflix recentemente, e olha, que releitura interessante. Malice in Wonderland é um filme de 2009, dirigido por Simon Fellows e escrito por Jayson Rothwell, que chegou a rodar por alguns festivais importantes, mas nunca chegou oficialmente em terras tupiniquins. Então, aqui a Alice é uma estudante americana que acaba sofrendo um acidente enquanto corria desesperada pelas ruas de Londres. Ela acaba sofrendo uma amnésia, e é “resgatada” por um taxista que acaba a levando para o submundo bizarro da cidade britânica. Agora ela tenta recuperar a sua memória, para poder escapar dessa maluquice em que se enfiou.

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Quem leu a obra original vai identificar rapidamente neste filme características marcantes da obra, como os diálogos rápidos e aparentemente sem sentido, cheio de enigmas, metáforas e duplas interpretações. As adaptações feitas nos personagens também são excelentes, o Coelho Branco é Whitey, o taxista com dois relógios que está sempre atrasado para alguma coisa; o Dodô é um malandro; a Lebre de Março é uma cafetina despirocada, e todos eles querem agradar a versão da Rainha de Copas, que aqui é Harry Hunt, um mafioso com predileções sexuais bem curiosas. Apenas Alice é a Alice de sempre, uma garota que não faz ideia do que está acontecendo a sua volta, e é arrastada pra lá e pra cá por personagens esquisitos.

 

As atuações estão bem bacanas também, Alice é interpretada pela linda Magie Grace, enquanto Danny Dyer faz o Coelho Branco, os protagonistas da trama. A química entre eles é notável e isso contribui muito para a imersão e identificação com a história. Destaque também para Matt King como Dodô e Pam Ferris como Duquesa.  O restante do elenco tem pouco tempo de tela, mas serve quase como easter-eggs para quem já conhece os livros.

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Enfim, Malice in Wonderland não é o melhor filme do mundo, mas para quem curte o clima surtado da obra de Lewis Carroll, e quer ver uma versão tão psicodélica quanto, mesmo com suas diferenças, é uma excelente pedida. O final ficou um pouco feliz demais e surgiu meio de lugar nenhum, mas não tira o brilho da viagem louca que o espectador acabara de fazer.

 

Nota: 7,0

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