Crítica: Late Night Shopping (2001)

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Quantos filmes icônicos nós temos sobre grupinhos de amigos dos mais variados. Filmes como ‘Conta Comigo’, ‘Os Goonies’, ‘Clube dos Cinco’, entre outros. Filmes sobre “galerinhas”, daquelas cujos personagens são tão reais e familiares, que a gente quer fazer parte também. É um tipo de filme que me parece em falta hoje em dia. Uma evidência disso é que o exemplar que eu indicarei aqui é lá do ano de 2001.

‘Late Night Shopping’ é uma comédia britânica de 2001, escrita por Jack Lothian e dirigida por Saul Metzstein. Ela nos apresenta um grupo de jovens na casa de seus vinte e poucos anos, que se encontra diariamente em uma cafeteria nos intervalos de seus empregos no turno da madrugada. Sean (Luke de Woolfson) é um porteiro de hospital que vive no dilema de saber se está, ou não, em um relacionamento, já que não fala com sua namorada há semanas. Vincent (James Lance) é um repositor de supermercado, que vive uma vida de relacionamentos superficiais e passageiros sem nenhuma perspectiva de futuro. Lenny (Enzo Cilenti) é um telefonista retraído que não sabe como se aproximar de uma garota. E Jody (Kate Ashfield), aparentemente a mais sensata do grupo, mas que vive sob a impressão de que não tem de fato uma vida.

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É possível condensar as qualidades desse filme em uma única palavra: simplicidade. Com muita simplicidade a trama vai se desenrolando enquanto acompanhamos diálogos pertinentes, mas corriqueiros, sobre temas como relacionamento, trabalho, futuro, amor, amizade e medo. Conversas que você provavelmente já teve com seus amigos. Mesmo quando pairava a dúvida se vocês eram amigos ou apenas conhecidos. Qual é o ponto de virada, aliás? Existem pessoas do nosso convívio diário que podem nem saber nosso sobrenome, mas que graças aos conselhos dados descompromissadamente, ou a uma palavra de apoio, se tornam parte de nossas vidas.

E esses diálogos inteligentes se intercalam com momentos de humor bem construídos. O rádio do carro que ficou preso nos anos 80; o colega que tem “visões pornográficas”; a garota que não consegue enfrentar discussões ou o rapaz que confere as dimensões de um sabonete. Traços de um humor tipicamente britânico que enriquecem ainda mais esse filme. Tecnicamente também prevalece a simplicidade, nos takes, na cinematografia, na direção como um todo. Nenhum aspecto se sobressai, apenas harmoniza com o conjunto estabelecido. Inclusive o elenco, que entrega atuações verdadeiras e sem exageros.

Enfim, ‘Late Night Shopping’ é um filme de bastante valor e que eu acredito que pouca gente tenha visto. Nem título em português ele tem, pra se ter uma ideia. Se você está lendo isso antes do dia 20 de agosto de 2015, se apresse, pois ainda está no catálogo da Netflix. Caso contrário, saiba que é uma obra que merece uma procurada.

Nota: 7,5

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