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Eu costumo olhar muito para os filmes produzidos na Oceania, tanto na Austrália, quanto na Nova Zelândia. Os dois países costumam nos brindar com belos exemplares que acabam passando despercebidos em seu lançamento, mas que acabam ganhando seu espaço e se tornando verdadeiros cults. Apesar desse disclaimer parecer otimista, é bom que fique claro que infelizmente não é o caso de ‘Kill me Three Times’, dirigido por Kriv Stenders.

A trama se passa no belíssimo litoral australiano e acompanha Alice Taylor (Alice Braga), a esposa do dono de um bar a beira-mar que serve de ligação para uma intrincada trama de traições e mentiras, envolvendo um assassino de aluguel, um dentista e sua esposa, um policial corrupto e seu próprio marido.

A narrativa se desenrola de maneira não linear e esse é um dos poucos pontos bacanas do filme, por que funciona bem, sem ficar confuso e resguardando as várias reviravoltas que o roteiro traz. Claramente emulando o estilo Guy Ritchie de fazer cinema, o diretor abusa da violência e de tentativas frustradas de criar momentos de humor negro para mascarar a pobreza de sua história.

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O roteiro conta com diálogos rasos que não conseguem criar o clima de comédia de erros que o diretor pretende, além de não nos fazer se importar com os personagens. Depois do primeiro plot twist você já nem se interessa com o que pode rolar com os protagonistas. Esse texto fraco acaba minando os esforços do elenco, que se esforça, mas não tem com o que trabalhar. Simon Pegg, Alice Braga, Teresa Palmer e o experiente Bryan Brown estão operantes, mas visivelmente desperdiçados.

Enfim, ‘Kill me three times’ é absolutamente derivado e fica muito, mas muito aquém de todos os filmes que ele “homenageia” meio que sem querer. Tem um elenco esforçado, uma fotografia bonita e ótimas locações, mas o roteiro é ruim e a trilha sonora terrivelmente genérica e irritante. Decepcionante.

 

Nota: 4,0

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