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Monica dos ‘Friends’. Stifler de ‘American Pie’. É quase impossível desassociar as figuras de Courteney Cox e Sean William Scott desses dois personagens. A comédia dramática ‘Just Before I Go’ está aí para tentar.

Ted Morgan (Sean) é um homem na casa dos 40 anos que, após ser abandonado pela mulher, decide que não tem muitos motivos para continuar vivendo e planeja seu suicídio. Mas antes, ele quer acertar as contas com algumas pessoas que julga terem certa responsabilidade nos rumos que sua vida tomou. Para isso retorna a sua cidade natal, onde reencontrará pessoas que fizeram parte de sua vida, e conhecerá outras que poderão mudar os rumos dela.

O filme marca a estreia de Courteney Cox na direção, que faz um trabalho correto e simples. Tecnicamente o longa não possui grandes méritos, mas também não possui defeitos comprometedores. A fotografia é comum, a trilha sonora quase passa despercebida e as tomadas e ângulos escolhidos são tão padronizadas quanto é possível.

JUST BEFORE I GO

O tom do filme pode acabar confundindo algumas pessoas, pois os momentos de maior comédia trazem um humor que transita entre o escatológico e o nonsense, enquanto as faixas mais dramáticas tratam de temas mais densos como homofobia, racismo, dramas familiares de vários tipos e a questão do suicídio em si. Não é exatamente um defeito, mas as transições entre esses temas pode parecer meio abrupta para alguns.

A recepção desse filme não dependerá apenas de suas qualidades ou defeitos, mas principalmente da vivência de cada espectador. Sim, ele tem alguns vícios e clichês da maioria das dramédias de auto-ajuda, mas acredito que soará menos bobo para qualquer leitor que, em algum ponto da vida, tenha alcançado um limite, algum ponto em que o simples ato de levantar-se da cama tenha se tornado um desafio. O famoso ponto de ruptura. Tenho certeza que qualquer um que tenha chegado a isso, ou pelo menos próximo disso, terá uma compreensão maior e uma recepção mais empática com a obra.

A atuação de Sean William Scott é coerente, pois seu personagem é propositalmente apático (ou vazio, como é dito no filme), então a expressão aparentemente desinteressada e confusa dele cai bem, mas é difícil achar a linha entre o que é atuação e o que é limitação. A sempre linda Olivia Thirlby manda muito bem, assim como Kyle Gallner. Garret Dillahunt, Kate Walsh, Rob Riggle e David Arquette seguram bem os momentos mais cômicos.

Enfim, é um bom filme, com uma mensagem clichê, mas bonita e muito válida. Mostra que na maioria dos casos, nem tudo é tão ruim quanto parece, e que as vezes a melhor maneira de lidar com nossos problemas e fragilidades, seja conhecendo a dos outros.

 

Nota: 7,5

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