Crítica: John Wick (De Volta ao Jogo) | Honestidade é só o que eu peço

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Keanu Reeves é um caso a ser estudado, não consigo me lembrar de outro ator que consegue compensar tão bem com carisma e presença em cena sua inexpressividade e ausência de alcance dramático. Mais uma vez se apoiando nessas qualidades do ator, alguém conseguiu realizar um belo filme de ação.

 

John Wick (Reeves) é um assassino profissional aposentado que vive acompanhado de sua cachorrinha, tentando lidar com o luto pela perda de sua esposa que falecera recentemente. Apesar de tudo, John levava uma vida pacata até o dia em que um grupo de criminosos invade sua casa, rouba seu carro e mata sua pequena companheira. Isso desencadeia a fúria de John, que decide buscar vingança contra todos envolvidos nesse crime.

 

Pois é, uma sinopse simples para um filme simples. John Wick é o típico filme de vingança e o que o faz se destacar em meio a tantos filmes de vingança (os filmes de vingança americanos, pelo menos) é a sua honestidade com suas pretensões e premissa. Em nenhum momento ele tenta ser mais do que de fato é, o diretor Chad Stahelski promete um filme de ação simplista e divertido e entrega exatamente isso.

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John Wick não é só um assassino profissional, ele é “O” assassino profissional, e a maneira que foi utilizada para evidenciar o quão fodão ele é foi bastante interessante. Sem diálogos expositivos falando de um provável passado na CIA, FBI, KGB ou qualquer coisa do tipo. Sua construção é digna de uma lenda urbana, com falas como: “…ouvi dizer que ele matou quatro caras com um lápis.” Ou “… você roubou o carro de quem?? Do John Wick, não acredito nisso, você o matou, não é?”. E toda essa construção funciona, antes mesmo dele começar a agir como um “badass motherfucker” o expectador compra o fato de ele ser um “badass motherfucker”.

 

Outra escolha acertada que evidencia os talentos de John, é o fato de ele ser preciso nos movimentos, sem desperdiçar tempo nem munição, é tiro na cabeça e que venha o próximo capanga. Existem também outros pequenos detalhes que chamam a atenção na produção, existe um submundo dos assassinos muito bem construído e com dinâmicas interessantíssimas, como o Hotel onde ninguém pode “falar de negócios”, ou a empresa de limpeza que arruma a casa depois de um serviço. Parece até que os assassinos tem sua própria moeda.

 

O elenco, apesar de ter alguns bons nomes pouco aproveitados, como Willem Dafoe e John Leguizamo, é competente e mantém o nível da produção alto. As cenas de ação também merecem certo destaque, apesar do modus operandi de John evocar algumas sequências meio mecânicas, o jeito de filmar, sem câmeras tremidas e cortes bruscos, contribui para o entendimento das cenas.

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Enfim, John Wick é um filme de ação honesto e que cumpre exatamente o que promete, uma hora e meia de diversão descompromissada. As continuações parecem inevitáveis. Honestamente foi pra mim o que eu esperava que ‘O Protetor’ seria.

 

Nota: 8,5

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  • Regiane Magalhães

    Muito bom.