Crítica: John Doe – Vigilante

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Em “John Doe: Vigilante” um homem comum combate a violência da única maneira que encontra, matando um criminoso por vez. Herói ou vilão? Justiça ou vingança? Você decide.

Nos dias de hoje essa é ou não é uma premissa, no minimo, instigante?

 

Estamos na Austrália, onde está para acontecer o julgamento de John Doe (Jamie Bamber), serial killer acusado de mais de 30 homicídios. Quase certo de sua condenação, John resolve fazer um último pedido: No dia anterior ao julgamento ele concederá uma entrevista final reveladora ao jornalista Ken Rutherford (Lachy Hulme), onde contará tudo sobre seus crimes e suas motivações. A partir deste ponto vamos descobrindo, por meio de flashbacks, cada movimento que fez com que John chegasse até ali, e toda a imensa repercussão de seus atos.

Uma abordagem interessante para um tema, que se não é original, pelo menos segue atual e extremamente relevante. Isso por que nós sabemos a quantidade absurda de injustiças que são cometidas pelo sistema responsável por fazer “justiça”. Em nosso país, onde a corrupção domina praticamente todos os seguimentos, esses órgãos trabalham tão lentamente e de maneira tão falha que chegamos a ouvir uma famosa jornalista dizer que “a atitude dos “vingadores” é até compreensível […] O quê que resta ao cidadão de bem que ainda por cima foi desarmado? Se defender, é claro! O contra-ataque aos bandidos é o que eu chamo de legítima defesa coletiva”. Mas a questão é, que se nem o sistema que foi feito e está munido de ferramentas para investigar e punir os criminosos, não consegue dar conta de tudo (independente dos motivos pelos quais isso acontece), como nós, simples cidadãos vamos conseguir? E até que ponto cada um de nós é suficientemente inocente para apurar, julgar e condenar aqueles que não o são. O caso do linchamento que aconteceu em São Paulo no ano passado mostra que não temos essa capacidade. Essas perguntas surgem a todo instante em que somos apresentados ás “vítimas” de John e as circunstâncias de suas execuções.

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E já que eu citei nossa ‘ilustre jornalista’, vale ressaltar que a mídia tem função importante no desenvolvimento da premissa. Temos nosso repórter que não demora a bradar que: “Se você não fez nada de errado, então não tem nada a temer”. E os reflexos disso na população são imediatos, defensores e detratores das práticas do justiceiro surgem aos montes e começam, inclusive, a agir de acordo com o lado escolhido. A tensão desses momentos é notável na execução do filme e a crítica ao mercado midiático também merece elogios.

O que é questionável aqui é a parcialidade que o diretor Kelly Dolen deixa transparecer em certos momentos, como se estivesse celebrando a existência de ‘John Does’ na sociedade, posicionamento que fica assustadoramente nítido quando John tem um breve momento de Frank Underwood ao falar diretamente com o público e incitá-lo a “tomar uma atitude”. Escolha polêmica, drástica e até perigosa, pra dizer a verdade.

O filme caminhava muito bem, com seu elenco reduzido dando conta do recado e com uma produção de regular para boa, até chegarmos no terceiro ato, onde o foco se perde completamente e o diretor começa a exagerar demais nas proporções e no nível conspiratório das informações. Por muito pouco ele não joga fora todo o seu bom trabalho.

Enfim, ‘John Doe: Vigilante’ é um filme que vale ser visto pela discussão que ele, meio que aos trancos e barrancos, levanta, independente de sua posição polêmica. Mas que tem um final extremamente exagerado e que compromete a qualidade integral da obra. É bom, mas podia ser melhor.

 

Nota: 7,0

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