Crítica: Jogada de Mestre (Kidnapping Mr. Heineken)

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Logo que eu vi o trailer de ‘Kidnapping Mr. Heineken’ me interessei pelo filme, que reconta a história real do sequestro do bilionário herdeiro de uma das maiores cervejarias do mundo. Devia ter entendido que a ridícula tradução do título para ‘Jogada de Mestre’ não era só mais um equivoco para a coleção das distribuidoras, mas sim um belo de um aviso. Isso porque ‘Jogada de Mestre’ é um título absolutamente genérico, tanto que uma busca superficial me mostrou outros quatro filmes com mesmo título. E essa é exatamente a questão, se tem um adjetivo que define o filme dirigido por Daniel Alfredson é: GENÉRICO.

Juntando quatro atores jovens e pouco confiáveis com o peso pesado Anthony Hopkins (afinal, alguém tem que dar credibilidade ao projeto), o diretor resolve recontar as circunstâncias, os planos, as ações e as consequências do sequestro de Freddy Heineken, ocorrido em 1983, e que resultou no maior resgate pago por uma única pessoa em toda história. Um grupo de amigos que passa por um momento delicado no negócio que tocam em conjunto, veem como única maneira de se livrar dessa difícil situação o sequestro de um homem rico. Aí está o primeiro grande problema do longa, mesmo que todos já tenham histórico de pequenos delitos, não existe peso dramático suficiente na situação que justifique a drástica decisão dos amigos.

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O plano arquitetado pelo grupo envolve um assalto a banco para a confecção do cativeiro, além do sequestro em si, e tudo acontece com uma facilidade tão grande que parece que até a policia e o sequestrado tinham participado dos “ensaios”. A narrativa transcorre de maneira linear, nos mostrando o grupo interpretado de maneira preguiçosa por todo o elenco, transformando os personagens em mecanismos de roteiro monotônicos e sem nenhuma empatia. Nem Hopkins se salva, sua atuação é apática e automática e seu personagem nem parece estar se importando com o que está acontecendo.

Tudo é mediano aqui, a composição técnica, montagem, fotografia, trilha sonora, reconstrução de época, nada salta aos olhos nem convence totalmente. O que podia ser uma ação empolgante para tratar de uma história famosa, acaba deixando um ar de simulação feita para programas policiais de tv aberta. Um grande desperdício de tempo, que de tão vazio não consegue nem fazer o espectador desgostar da obra, ela simplesmente se torna indiferente e dispensável. Incompreensível que tenha sido dirigido pelo mesmo cara que fez duas partes da trilogia Millenium original. Uma pena.

 

Nota: 4,0

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