Crítica: Housebound – Comédia de horror em sua melhor forma

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Trabalhar com comédia de horror não é nada fácil, manter-se transitando entre dois gêneros tão distintos exige um timing preciso para não ridicularizar totalmente a ideia e transformar o que era pra ser engraçado em uma paródia mal feita. O diretor de Housebound sabe bem disso.

 

Kylie (Morgana O’Reilly) é uma delinquente juvenil que é presa ao tentar explodir um caixa eletrônico. Sua pena pelo delito consiste em oito meses de prisão domiciliar, na casa da sua neurótica mãe com quem não fala há tempos. Para piorar, ela começa a suspeitar que a velha casa possa ser assombrada, graças a estranhos eventos que passam a acontecer no local.

 

Housebound é mais uma prova de como o mundo é injusto com os cineastas independentes, enquanto grandes produtores conseguem emplacar vários filmes de terror mequetrefes nas salas de cinema mundiais, pérolas como essa ficam restritas ao público mais dedicado que tenta se manter interado com o circuito de festivais do gênero, onde ainda encontramos sopros de originalidade e qualidade para nos surpreender.

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O estreante diretor Gerard Johnstone consegue ser preciso ao fazer o balanceamento que citei acima, dosando um humor negro cheio de tiradas e momentos absurdos, com cenas de suspense dignas de um bom filme de assombração. Seu roteiro é inteligente e flui de maneira natural, mesmo que o primeiro ato seja um pouco lento, o espectador não tem tempo de ficar entediado.

 

As cenas de ação não soam confusas aqui, mesmo com os movimentos frenéticos da câmera. Para os que sentem falta, rola violência gráfica e alguns litros de sangue em Housebound, mas como essas cenas são acompanhadas de humor pastelão (como uma luta que envolve um ralador de queijo e um cesto de roupa-suja) muito bem colocado, não chega a incomodar os que não gostam.

 

O elenco repleto de nomes desconhecidos do público não-neozelandês manda muito bem, com ótimo timing cômico e expressões quase que caricaturais, mas que em nenhum momento saem do tom. Destaque para a protagonista Morgana O’Reilly e para a interprete de sua mãe, Rima Te Wiata, que rouba a cena com seus diálogos e com sua capacidade de falar mais rápido do que qualquer ser humano normal.

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Talvez o único deslize do filme seja ter optado por um caminho mais seguro, quando poderia ter arriscado mais no desfecho e ter se tornado realmente genial. Mesmo assim Housebound garante boas risadas, momentos de tensão e susto, tornando-se um dos exemplares mais divertidos do gênero.

 

Nota: 8,0

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