Crítica: The Homesman – “Por que não casamos?”

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The Homesman, segundo longa metragem dirigido por Tommy Lee Jones e recém lançado no Festival de Toronto, serve para reafirmar suas qualidades atrás das câmeras, mas também anuncia um problema que já é visto na sua filmografia como ator, a repetição.

 

Na trama de The Homesman somos apresentados a Mary Bee Cuddy (Hilary Swank), uma prendada moradora dos confins do estado do Nebraska, lugar onde cuida de suas terras enquanto espera um homem para desposá-la e estabelecer família, um dos pré-requisitos para uma mulher não ser mal vista na sociedade da época. Porém, essa missão é dificultada pela sua fama de ser uma mulher chata e autoritária. Como não há muitas chances de sair dessa incomoda situação, Mary resolve aceitar a missão de levar três mulheres que enlouqueceram em seu vilarejo para o estado de Iowa, onde receberiam tratamento. Para essa empreitada perigosa ela recruta o malandro George Briggs (Tommy Lee Jones), um andarilho nem um pouco querido no local. Então, eles partem deserto adentro tentando sobreviver e chegar ao destino.

 

De cara, é impossível não lembrar de outro excelente western recente enquanto se assiste ao filme, afinal, a estrutura de road movie onde um malandrão ajuda uma moça em uma viagem, feita meio que a contra gosto, já foi vista de maneira brilhante em Bravura Indômita, dos Irmãos Coen. É claro que o motivo aqui é um pouco mais nobre (não que vingança não seja um motivo nobre), mas basicamente a trama é bem parecida. E já que eu citei Bravura Indômita, existe outra semelhança interessante entre os dois filmes, a química de seus protagonistas. Jones e Swank formam uma dupla fantástica, com suas diferenças éticas e interesses conflitantes, ela cheia de travas morais e religiosas, que não combinam com o estilo e o conhecimento da estrada que tem o velho homem, que só quer terminar o serviço e pegar a recompensa.

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Essa química só é sentida por que os dois tem atuações sólidas, mesmo com Tommy Lee Jones escorregando para velhos hábitos em alguns pontos, Swank segura a onda e entrega uma de suas melhores performances em anos, que inclusive pode lhe render uma indicação ao Oscar do ano que vem. Completando a caravana, temos o trio de “mulheres loucas”, interpretadas discreta, mas competentemente por Grace Gummer, Miranda Otto e Sonja Richter.

 

O roteiro baseado no romance homônimo de Glendon Swarthout, e adaptado pelo próprio Jones ao lado de Kieran Fitzgerald acaba sendo o ponto fraco do filme, as boas atuações, fotografia inspirada (inclusive alguns takes dariam excelentes posteres), participações especiais cativantes, em especial as de Tim Blake Nelson, James Spader e Meryl Streep, maquiam o fato de que a história não é tão boa. A jornada dos protagonistas acaba se tornando um pouco maçante, principalmente se formos analisar as duas horas de duração do filme. Pouca coisa relevante acontece em alguns períodos, fazendo algumas cenas parecem totalmente sem propósito.

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Enfim, The Homesman não supera a estreia de Jones na direção, mas reafirma suas qualidades, e mesmo com um pouco de encheção de linguiça e um bom subplot desperdiçado, fecha com média alta, e com certeza merece ser visto.

 

Nota: 7,0

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