Crítica: Hércules – Uma diversão honesta, mas sem muito brilho

719

746

Todo filme, por pior que seja, tem uma utilidade no mundo. O péssimo The Legend of Hercules, por exemplo, ele servirá para preencher várias listas de piores filmes do ano, provavelmente tornará a disputa da Framboesa de Ouro mais acirrada, além de seu principal feito, tornar o Hercules do The Rock um filme consideravelmente melhor. Para o contentamento geral, a única semelhança entre os dois, é o nome do personagem principal.

 

Uma narração em off apresentando alguns dos principais trabalhos do semideus Hercules, o Javali de Erimanto, a Hidra de Lerna e o Leão de Neméia, assim se inicia a fita dirigida por Brett Ratner, a cena seguinte, porém, já nos coloca a dúvida que seguirá por boa parte da trama: Os feitos fantásticos do herói realmente aconteceram ou tudo não passa de lenda?

 

Hercules aqui lidera um grupo de mercenários que aceita a missão oferecida pelo Lorde Cotys (John Hurt), a de liderar o exército Trácio contra as incursões bárbaras do rebelde Rhesus (Tobias Santelmann). O roteiro escrito por Ryan Condal e Evan Spiliotopoulos, se baseia na HQ “Hercules – The Thracian Wars”, e usa de muita liberdade para jogar com a noção de mito e realidade que cerca as grandes lendas. Essa proposta interessante ainda serve para nos lembrar da importância dos oradores, aqui representados por Iolaus (Reece Ritchie), responsáveis por transmitir as histórias que um dia se tornaram mitologia.

Rufus-Sewell-Aksel-Hennie-Dwayne-Johnson-and-Reece-Ritchie-in-Hercules-2014-Movie-Image

O longa conta com cenas de ação bem executadas, sem câmera tremida, sem uso exagerado de efeitos especiais, o que dá um efeito orgânico essencial nas grandes batalhas. Os sets de filmagem megalomaníacos que foram construídos também colaboram para essa sensação, mesmo que pareçam subutilizados em alguns pontos.

 

A falta de originalidade talvez seja o grande demérito desse filme (além de alguns diálogos ridículos), grande parte das dinâmicas entre os personagens são batidas, e parecem copiadas de outros filmes. Impossível não remeter a Gladiador a relação dele com o filho da princesa, ou a Tróia seu comportamento a respeito de Iolaus. Seu grupo de Mercenários, apesar de seus ter uma química bacana entre si e com o herói, é a formação do mais simplório grupo de RPG. Nada é original.

 

Com exceção do afetadíssimo Joseph Fiennes, o restante do elenco de apoio manda bem, com destaque para John Hurt e Ian McShane. Mas o carisma do brutamontes Dwayne Johnson ainda é o diferencial, difícil imaginar alguém para interpretar uma versão de Hércules hoje em dia que não seja ele.

Hercules-01

Apesar dos pesares, o bom desempenho do elenco, a narrativa fluída e com boas doses de humor conduzidas por Brett Ratner, intercaladas ás eficientes sequências de ação e a abordagem pouco usual do mito grego, transformam Hercules em uma diversão honesta e indolor, que com certeza vale o tempo e a pipoca investida.

 

Nota: 6,5

0 Total Views 0 Views Today