Crítica: The Guest | Suspense moderno com um charme oitentista

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Originalidade é algo que os amantes do cinema sempre buscam nos filmes que veem. É uma característica importante e bem vinda em qualquer obra, mas vez ou outra nos deparamos com as exceções. The Guest é um exemplo de filme que traz pouco dessa qualidade, mas compensa de forma tão fantástica nos outros aspectos que acaba por se tornar um dos exemplares mais divertidos de seu gênero.

 

The Guest traz Dan Stevens no papel de David, o tipico “estranho perfeito”. Ele é simpático, bonito e educado, e se apresenta aos integrantes da família Peterson afirmando ser um grande amigo do filho mais velho, que morreu em serviço no Iraque. Ainda afetada pelo luto a família acolhe David imediatamente, mas quando uma série de crimes começa a acontecer na pequena cidade, Anna (Maika Monroe), a filha do casal começa a suspeitar que o amigo misterioso seja, na verdade, uma perigosa ameaça.

 

O projeto todo é uma grande referência / homenagem aos filmes dos anos oitenta, começando pela trama e passando por vários outros detalhes importantes, como a trilha sonora eletrônica ou a própria ambientação em uma pequena cidade do interior. Até mesmo o desenrolar do roteiro, suas escolhas e soluções remetem ao charme dos clássicos de John Carpenter e companhia. Com um ritmo bem distinto em suas duas metades, a narrativa traz doses precisas de mistério, ação e um ar de deboche de quem sabe se levar a sério apenas quando é necessário.

THE GUEST

Dan Stevens, o protagonista, transborda charme em sua atuação, com um sorriso firme e expressões que andam na tangente da canastrice, ele cria um personagem cativante e sedutor, mas que sabe ser ameaçador quando é preciso. Os outros atores reagem bem ao domínio que ele exerce nas cenas, e a sensação de encantamento misturada com desconfiança é muito bem demonstrada por todos eles.

 

Adam Wingard, que já havia dirigido o ótimo ‘Você é o Próximo’, mostra que sabe muito bem conduzir seu filme de modo que prende o espectador, sem fazê-lo se importar com o absurdo da situação ou com qualquer pequena incoerência que possa surgir. Ele sabe combinar perfeitamente a música com a fotografia, aliada as locações e a situação como um todo, criando uma aura psicodélica interessantíssima.

 

Enfim, The Guest é um filme preciso, ciente de suas pretensões, extremamente estiloso e deliciosamente divertido. Com atores á vontade em seus papéis e um roteiro repleto de referências bacanas ao cinema dos anos oitenta. Uma mistura de gêneros e conceitos que deu muito certo graças a competência de seu realizador. Altamente recomendado.

 

Nota: 8,0

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