Crítica: Goodnight Mommy (Ich seh, Ich seh – 2014)

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Nas últimas semanas um trailer vem intrigando e assustando as pessoas internet afora. Trata-se do elogiado ‘Goodnight Mommy (Ich seh, Ich seh)’, filme independente austríaco que vem rodando vários festivais desde o ano passado. Para aqueles que ficaram curiosos com o trailer, fica um recadinho: O filme é muito bom, mas tem bem pouco a ver com o que o trailer vende.

A trama acompanha os irmãos gêmeos Lukas (Lukas Schwarz) e Elias (Elias Schwarz), que vivem tranquilamente em uma casa bem afastada da cidade com sua mãe. Acontece que ela acaba de passar por uma cirurgia plástica e volta pra casa com o rosto coberto de ataduras. No entanto, os garotos percebem uma mudança drástica no comportamento da mulher, o que os faz contestar se aquela pessoa que está ali é de fato sua mãe.

‘Goodnight Mommy’ parte de uma premissa que passa longe de ser original, inclusive seu mote principal vai evocar pelo menos dois filmes bastante semelhantes, mas isso não é um demérito. Isso porque a maioria de seus conceitos derivados, são melhor trabalhados aqui do que nas outras vezes em que já vimos. Mas é bom que fique claro, não é exatamente um filme de terror, e sim um belo suspense psicológico. E dentro desse gênero, é um dos melhores dos últimos anos. Sem se render aos vícios hollywoodianos, como a manipulação de volume da trilha e o uso de cenas escuras, ele constrói um clima eficientemente incomodo. O filme é bastante silencioso e curiosamente claro. A fotografia é limpa e a construção do longa faz os ambientes amplos e vazios parecem muito mais assustadores do que o normal.

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O filme não tem pressa pra se estabelecer, até a metade a história caminhava devagar e com cuidado, soltando pistas (algumas bem claras) e construindo muito bem a relação entre o trio de personagens, cuja dinâmica lembra bastante o excepcional ‘The Babadook’. O ponto de virada transforma o filme completamente, o que pode pegar alguns de surpresa, passamos a ficar agoniados com a situação perturbadora se estabelece. O trio de atores eleva consideravelmente o valor da produção, tanto as crianças quanto a mãe. Sustentar um filme com apenas três atores em um cenário não é nada fácil. O filme também trabalha bem seus simbolismos, a dualidade da figura materna, violência familiar, estresse pós-traumático e relações fraternais, isso e outros temas são abordados aqui.

Enfim, ‘Goodnight Mommy’ é um suspense psicológico excelente. Diferente em termos de construção, mas comum no que diz respeito a premissa. Para alguns pode soar previsível graças as pistas jogadas pelo roteiro, mas isso não chega a ser um problema. Vale muitíssimo a pena.

Nota: 8,0

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