Goliath | Vale a pena ver a série mais vista da Amazon?

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Há vários estudos que confirmam algo que já sabemos há algum tempo: o lugar-comum nos agrada. Gostamos do conhecido, do repetido. Por isso vemos o mesmo filme dez vezes, pelo fato de que o nosso cérebro já sabe a recompensa que vai receber, seja satisfação, emoção alegria ou relaxamento. E por que é mais seguro também, arriscar experimentar algo novo aumenta a chance de decepção. Creio que, talvez em menor escala, essa teoria também se aplique a fórmulas. Nós nos apegamos a elas. No fundo nós amamos os clichês, basta que eles sejam minimamente bem trabalhados. E Goliath faz isso de forma primorosa, sem arriscar ou inovar, mas sendo honesto em suas pretensões e métodos.

Goliath acompanha William “Billy” McBride, um advogado que já fora grande coisa, co-fundador de uma gigantesca firma de advocacia, mas que hoje encara a decadência, graças ás consequências de um grande caso, que o levou ao alcoolismo e consequentemente ao divórcio. Mas Billy tem a chance de dar a volta por cima, ou pelo menos colocar algumas coisas nos trilhos, quando aceita um caso contra uma grande empresa de segurança e fabricante de armamentos, que coincidentemente é representada por seu antigo escritório. E o que parece um caso relativamente simples, acaba desencadeando acontecimentos que colocam em risco não só sua chance de redenção, como sua própria vida.

É uma sinopse clichê, sim, e nem podemos dizer que ela é trabalhada de forma inovadora. A estrutura da série é bem comum, com um desenvolvimento de narrativa equilibrado e uma sucessão de mistérios que sempre conseguem segurar o espectador por pelo menos mais um episódio. Mas se as maiores qualidades de Goliath não estão na história em si e nem na forma de conta-la, onde elas estão? O que a fez se tornar a série mais vista da história do serviço de streaming da Amazon, em apenas dez dias?

Se eu fosse apostar, diria que foi o conjunto atores/personagens. O elenco de Goliath é primoroso e seus personagens são muito bons, cada um no seu estilo. A começar por Billy McBride, vivido por Billy Bob Thornton, personagem que evoluí e involui no decorrer da temporada, nas mãos de um dedicado Thornton, com sua postura e olhar melancólicos, que nos mostra sem nos dizer o homem que ele foi um dia. Um advogado que ao mesmo tempo busca certa redenção, sofre com os baques do caso e acaba minguando suas forças por causa disso. Uma atuação que deve ser agraciada com algumas indicações nos prêmios por aí.

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Como seu Golias, temos o personagem de William Hurt, que se diverte ao compor um vilão com características caricaturais dignas de um oponente de James Bond. Ele tem aversão a claridade, tem parte do rosto deformado, ouve música clássica, fica isolado no topo de um prédio e traz em si aquele tipo de serenidade assustadora.  Maria Bello é Michelle, ex-mulher de Billy e uma das sócias do grande escritório, e constrói a personagem que parece ser a ilha de bom senso em meio ao oceano de absurdos que os outros personagens cometem. E Maria consegue transparecer em poucas aparições, o fato de que sua personagem é quem mais tem coisas em jogo nesse imbróglio todo. E são só os três destaques, ainda temos muitos outros atores dedicados aos seus bons personagens, como Olivia Thirlby, Nina Arianda, Molly Parker, Diana Hopper, Tania Raymonde e Harold Perrineau.

Goliath é o tipo de série que não dói. Entretenimento honesto que se ancora em seu belo elenco e na familiaridade de seus temas para cativar o espectador. Não é revolucionária, mas é agradável e tem tudo pra ser a série de tribunal que você vai querer ver.

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