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Recentemente, quando escrevi a crítica de ‘Rio Perdido (Lost River, clique aqui para ler)’, estreia de Ryan Gosling na direção, observei que o astro se preocupou mais em emular o estilo de outros cineastas do que exercitar sua própria identidade, e que esse era um dos principais pecados daquela obra. Agora é hora de outro astro estrear na direção – o Capitão América, Chris Evans – e mais uma vez o mesmo problema aparece, porém, o resultado é mais agradável graças a menor pretensão desse projeto.

Aqui conhecemos o trompetista Nick Vaughan (Chris Evans), que enquanto tocava seu instrumento na movimentada Estação Central de Nova York, acaba esbarrando na bela Brooke Dalton (Alice Eve), uma mulher que acabara de ser assaltada e agora não tem como voltar para casa. Nick resolve ajudá-la e os dois partem em uma curta aventura noturna, onde encontrarão respostas inesperadas para suas dúvidas acerca de seus próprios relacionamentos.

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Se Gosling se puxou para emular uma mistura de Nicolas Winding Refn com David Lynch, em Lost River, Evans se esforça para ter seus dias de Richard Linklater, em sua própria versão da “Trilogia Before…”. O problema é que o roteiro e os personagens escritos pelo experiente roteirista Ronald Bass, de ‘Rain Man’, não tem a mesma inteligência e complexidade vista nas obras de Linklater. Logo, o filme fica com um ar de “quase”, demonstrando uma boa embalagem, mas sem muito conteúdo.

O conjunto da obra não chega a ser ruim, pelo contrário, Chris Evans e Alice Eve funcionam bem juntos, tem química e são carismáticos o suficiente. E o roteiro tem seus momentos, algumas boas piadas, referências interessantes, o que falta mesmo é um desenvolvimento mais completo de personagens.

A direção de Evans é discreta, sem muita inventividade ele capta de maneira satisfatória o clima noturno de Nova York, com suas luzes e cantinhos secretos. A montagem e a edição são fluídas e os 89 minutos passam naturalmente. Destaque também para a fotografia de John Guleserian, o mesmo do ótimo ‘Questão de Tempo’. ‘Before we go’ é um filme visualmente agradável, sem dúvidas.

Enfim, Chris Evans mira mais alto do que consegue atingir, mas não erra totalmente. O carisma dos protagonistas, a simplicidade da narrativa e a boa construção estética compensam o pouco desenvolvimento dos personagens, além de um final bastante deslocado. É uma comédia romântica com altos e baixos, mas que vale compensa o tempo investido.

Nota: 7,0

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  • Adriana Cunha

    achei o filme bom, porem o final se perde…