Crítica: Faces da Verdade (Nothing but the Truth – 2008)

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Judith Miller foi uma das jornalistas mais controversas da primeira década do século 21, em 2005 ela chegou a ser presa por recusar-se a revelar as fontes de duas das matérias mais bombásticas da época. Em uma delas a jornalista, de certa forma, “respaldou” a invasão dos EUA ao Iraque em busca de armas químicas, na outra revelou a identidade de uma agente da CIA, ato considerado um atentado a segurança nacional. Esses dois casos “inspiraram livremente” o roteiro escrito por Rod Lurie, que foi filmado em 2008 sob o nome de Faces da Verdade (Nothing but the Truth).

 
No filme a jornalista é Rachel Armstrong (Kate Beckinsale), correspondente de um periódico popular e de alta tiragem, que em sua matéria de maior projeção revelou a verdadeira identidade da esposa de um embaixador americano, Erica Van Doren (Vera Farmiga), uma agente da CIA sob disfarce. Esse caso dá início a uma série de eventos, colocando o próprio governo dos EUA “contra” a repórter, exigindo a revelação de suas fontes. Decidida a não abandonar sua ética profissional, Rachel passa a ser confrontada duramente pelo promotor Patton Dubois (Matt Dillon), que não medirá esforços para descobrir a verdade.

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Com um roteiro muito bem trabalhado, com diálogos bem escritos e extremamente relevantes, ‘Nothing But The Truth’ nos mostra as terríveis consequências que Rachel enfrenta ao fazer valer a sua principal convicção profissional. Consequências que vão muito além das batalhas judiciais travadas entre seu advogado e o promotor, consequências que refletem física e emocionalmente nela e em todos a sua volta.

 
A trama intricada e bem conduzida pelo diretor ganha muito ao ser acompanhada por atuações realistas e bastante convincentes. Kate dá um senso moral impressionante a sua personagem, e transparece no olhar cada derrota que sofre no caso. Matt Dillon está implacável como o promotor, que deixa claro até em suas ações mais questionáveis que nada se colocará entre ele e seu objetivo. Entre os coadjuvantes se destacam Vera Farmiga e Alan Alda.

 
Tecnicamente eficiente o diretor não foge muito da normalidade, deixando o destaque da obra para seu texto politico e seu caráter de reflexão. Enfim, ‘Nothing but the Truth’ é um filme que oferece um dilema quase que inquebrável, botando em xeque as convicções tanto dos personagens quanto dos espectadores. Onde as semelhanças com a realidade são mais do que mera coincidência.

Nota: 8,5

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