Crítica: Eu, você e a garota que vai morrer (Me, Earl and the dying girl)

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Já disse aqui o quanto acho engraçado aquelas frases de divulgação que “juntam” uma obra de sucesso com outra (ou um autor de sucesso com outro), para chamar a atenção do público. Engraçado por que apesar de ser uma estratégia válida e coerente, raramente é utilizada de maneira honesta. Mas ainda assim eu curto essas combinações, e pensei em uma bem apropriada para o filme em questão: “Wes Anderson encontra John Green”.

Meio pesado, né? Pode elevar demais as expectativas. Sejamos mais modestos então: “Wes Anderson esbarra em John Green”

O filme é baseado no livro de mesmo nome escrito por Jesse Andrews, responsável também pelo roteiro, e nos conta a história de Greg (Thomas Maan), um pacato estudante do último ano do ensino médio. Ele não se encaixa em nenhuma das tribos do colégio, o que o torna praticamente invisível no ambiente escolar. A única pessoa com quem se relaciona é Earl (Ronald Cyler II), seu parceiro de longa data, com quem passa as horas livres botando em prática seu hobby, refilmar da forma mais cretina possível seus filmes favoritos (bem ao estilo ‘Rebobine, por favor’. Isso até a mãe de Greg obriga-lo a fazer uma boa ação: visitar Rachel (Olívia Cooke), uma colega que acabara de descobrir que tem leucemia. O que começa como uma relação forçada e sem naturalidade, acaba se transformando em uma bonita amizade quando ambos percebem que tem muito mais em comum do que imaginam.

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‘Eu, você e a garota que vai morrer’ fala essencialmente sobre amizade, sobre relações interpessoais. E para isso, usa como ponto de partida a vida de um garoto que foge dessas e de quaisquer outras interações sociais. Mostra como a relação com outra pessoa pode nos amadurecer não só emocionalmente, mas como ser humano completo. E o roteiro faz isso sem se render a pieguice ou ao romance clichê, na verdade ele até brinca com essas possibilidades.

O longa ainda conta com um senso de humor bastante particular, principalmente na criação de alguns personagens bem peculiares, como o professor de história e seus bordões, ou o pai de Greg e suas comidas bizarras. Aliado a isso, temos a atmosfera típica de filmes de high school, que ajuda o longa a equilibrar de maneira precisa os momentos de diversão com os de emoção, se saindo genuinamente bem em ambas as frentes.

O trio de atores principais está muito bem, destaque para o desempenho de Olivia Cooke, que cria uma personagem carismática, doce e cheia de complexidades. Nos aspectos técnicos vemos as raízes de Wes Anderson, no trabalho de câmera, na paleta de cores e até mesmo na criação de uma realidade cuja excentricidade beira a maluquice.

Enfim, ‘Eu, você e a garota que vai morrer’ é um filme emocionante, relevante e muito bonito. Tem um quê de ‘A Culpa é das Estrelas’, passeia um pouco por ‘As vantagens de ser invisível’ e ainda traz pitadinhas de ‘Moonrise Kingdom’, mas mesmo assim não se limita a semelhanças e cria um caminho próprio sólido e cativante.

Nota: 8,0

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