O sonho americano, tão presente e ao mesmo tempo tão ausente, é o tema de um dos melhores filmes de 2014.

A trama acompanha as irmãs Ewa e Magda Cybulska, que acabam de fugir da Polônia com destino a Nova York em busca de uma vida melhor. Na chegada, as circunstâncias acabam separando as duas, enquanto Magda é mandada para quarentena, Ewa fica a beira da deportação e é obrigada a aceitar a ajuda de Bruno (Joaquin Phoenix), um misterioso homem que a coloca para trabalhar com ele em uma espécie de cabaré. Tudo muda após a chegada de do mágico Emir (Jeremy Renner), primo de Bruno, que transformará essa relação em um intenso triângulo de interesses.

James Gray se consolida cada vez mais como um dos melhores cineastas da atualidade. Suas obras geralmente trazem reflexões sobre temas relevantes, que vem acompanhadas de desempenhos incríveis de seu elenco, além de uma qualidade técnica impecável. ‘Era uma vez em Nova York’ não foge a nenhuma dessas máximas.

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Seu trio de atores principais compreende perfeitamente seus respectivos papéis, o que contribui para a imersão do espectador em seus dilemas. Marion Cottilard tem um desempenho contido, mas que passa em cada detalhe a esperança que existe em Ewa, mesmo frente a tantas adversidades. Bruno é um homem de boas intenções, mas que é sabotado pelas suas opções e escolhas, que ganha vida na pele do sempre excelente Joaquin Phoenix. Jeremy Renner transforma Emir no sopro de esperança que ilude e assusta os outros personagens, também com ótima atuação.

Gray expões de maneira bastante crua as dificuldades enfrentadas pelos imigrantes nas décadas de 20 e 30. O roteiro desconstrói o sonho americano, transformando os personagens em alegorias claras e envolvendo o espectador em um drama denso e muito bem construído.

Como eu disse, tecnicamente o filme também é impecável. Reconstrução de época, figurinos, ambientação, fotografia excelente e uma trilha sonora idem. Um filme belíssimo, também em seus aspectos mais visuais. É verdade que o ritmo não é dos mais ágeis, Gray não tem pressa para contar sua história, o que é muito perceptível e aceitável. Enfim, é um filmaço, cheio de significados. Uma pena ter passado despercebido pelas premiações.

Nota: 9,0

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Vinicius Salazar

Co-criador e palpiteiro do TaxiCafe. Editor do Podcast Chutão.

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