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Poucas vezes nós vamos ver ler os termos “Porta dos Fundos” e “drama existencial” na mesma frase. ‘Entre Abelhas’, filme idealizado e produzido por vários integrantes do grupo humorístico, estreou em 2015 e mostrou que o humor crítico e inteligente e só uma das facetas dessa turma de muito talento.

A trama acompanha Bruno (Fábio Porchat), que na casa dos 30 anos está passando por uma fase difícil da sua vida, após uma dolorosa separação. Como se não fosse suficiente, coisas estranhas começam a acontecer com ele. Ele percebe que não consegue mais enxergar algumas pessoas a sua volta, como se apenas para si, elas estivessem desaparecendo. Agora Bruno vai contar com a ajuda de sua mãe (Irene Ravache), para entender o que está acontecendo e se adaptar a esse estranho mundo.

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O roteiro escrito por Ian SBF e Fábio Porchat mistura elementos fantásticos com temas reais e complexos, de um jeito que remete a obras como ‘Ensaio sobre a cegueira’, de José Saramago e ‘Brilho eterno de uma mente sem lembranças’, de Michel Gondry. O roteiro caminha de forma segura construindo uma alegoria contundente, mas não tão evidente. Como se ele quisesse tocar em um tema, sem falar claramente sobre ele. O tema em questão é a depressão de Bruno sofre. Só essa peculiaridade da trama já coloca ‘Entre Abelhas’ em um patamar mais elevado do que a maioria das produções do circuíto comercial brasileiro.

Ian SBF, diretor e co-criador do Porta dos Fundos, dirige aqui sem muita invenção. Conduz a narrativa de maneira bastante convencional, acompanhado de uma edição simples e direta. O roteiro mescla o drama, muito bem estruturado graças a atuação sólida de Fábio Porchat, que mostra ser bem mais do que o cara do humor físico, com o humor, pautado nas figuras de Irene Ravache, Luis Lobianco e Marcos Veras. Os dois primeiros estão excelentes, especialmente Irene, que tem a melhor atuação do filme. Marcos Veras não compromete, mas seu personagem é raso e repetitivo. Letícia Lima e Giovanna Lancellotti tem pouco a fazer e a presença de ambas acaba soando como simples dispositivos de roteiro.

Com uma fotografia muito bonita e uma trilha sonora que sabe pontuar as modulações do humor, o conjunto da obra de ‘Entre Abelhas’ se sobressai. Pode não ser uma obra prima, mas é um filme bem estruturado e relevante. Vale muito a pena.

Nota: 8,0

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