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A imensa maioria dos filmes nacionais de gênero acaba por não receber a atenção merecida e necessária, tanto em termos de investimento e distribuição, quanto – e consequentemente – do público consumidor. Entrando Numa Roubada até conseguiu fugir dessa sina, principalmente graças a presença de atores de renome no mercado brasileiro, pena que não é o suficiente para garantir um bom resultado.

A trama do longa de Andre Moraes mostra um grupo de amigos que realizou um filme de ação anos atrás, mas que não conseguiu o reconhecimento esperado. Hoje estão todos decadentes e vivendo bem longe da verdadeira profissão. Vendendo muambas, animando festas infantis, vendendo pneus. O único que alcançou sucesso foi o produtor Alex (Marcos Veras), que também mudou de área, agora ele é um conhecidíssimo pastor evangélico. Um dia um dos atores (Bruno Torres), que também é roteirista, vence um concurso que dará 100 mil para a produção de um longa metragem, e resolve reunir o time para tentar a sorte mais uma vez. O que ele não sabe é que um dos atores (Julio Andrade) pretende usar a produção para executar um plano de vingança contra o antigo produtor, a quem ele culpa pelo fracasso do grupo.

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A partir dessa premissa interessante e até certo ponto, absurda, se desenrola uma mistura de road trip com filme de assalto, com trama de vingança e com uma certa homenagem, por que não dizer, ao ato de fazer cinema. Com um desenrolar ágil, a trama caminha com uma montagem frenética a lá Guy Ritchie (lembrando o ótimo 2 Coelhos, também), intercalando cenas de ação com momentos cômicos que fogem do humor simples rasteiro que nos acostumamos a ver no cinema nacional. Essas cenas de ação são bem conduzidas pelo diretor, que consegue driblar o baixo orçamento com takes rápidos que “escondem” os efeitos não tão especiais.

O elenco vai muito bem, Julio Andrade é um cara muito talentoso e está acompanhado por outros bons nomes: Deborah Secco, Bruno Torres, Lúcio Mauro Filho e Ana Carolina Machado, que fecham a “equipe” do filme dentro do filme. Marcos Veras rouba a cena sendo o principal escape cômico do longa.

Infelizmente todos esses fatores positivos perdem muita força graças aos sérios problemas do roteiro. Além de apelar demais para a suspensão de descrença, não é conseguida uma boa harmonia entre os subgêneros que são trabalhados. Há algumas cenas sem propósito, enquanto outras são redundantes na mensagem passada. Pontas soltas, motivações fracas e alguns momentos que se levam tão a sério que saem do clima, como o desfecho, por exemplo.

Enfim, Entrando Numa Roubada é filme cheio de altos e baixos, que tem no roteiro seus principais deméritos. Mesmo assim, o bom elenco e a execução competente fazem a obra valer os minutos investidos. Apesar dos problemas, consegue divertir.

Nota: 6,0

 

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