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Enquanto houver gente talentosa e com boas ideias, não há linguagem que se esgotará no cinema. O desgastado subgênero do found footage, que muitos dão como esgotado, trouxe em 2015 dois ótimos exemplares que reforçam a frase acima.

Aaron (Patrick Brice) é um cara que passa por problemas financeiros que o fazem aceitar qualquer tipo de trabalho na sua área: filmagem. Por isso ele responde a um anúncio para prestação de serviços em uma casa isolada nas montanhas. Seu cliente é Josef (Mark Duplass), um homem meio esquisito, que diz sofrer de uma doença terminal e quer deixar um registro em vídeo para seu filho ainda não nascido. Numa mistura de solidariedade com necessidade, Aaron topa passar um dia gravando Josef, mas no decorrer das filmagens ele perceberá que há algo de muito errado com seu cliente.

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Creep pode ser encarado como um filme caseiro que dois amigos resolveram fazer. O próprio Patrick Brice dirige a história escrita por ele e por Duplass, além dos dois serem os únicos nomes do elenco. Mas essa aura de “filme caseiro” está longe de significar amadorismo. Brice conduz o found footage de maneira muito competente, utilizando de câmera subjetiva para favorecer a imersão do espectador, além de usar do ponto de vista da câmera para captar tomadas com aspectos, locações e personagens diferentes.

Como a produção é simples e o elenco reduzido, é no roteiro que o filme se garante. O ritmo da narrativa é bom e a trama brinca com as convenções dos gêneros terror e suspense, transformando os jump scares em momentos cômicos, trabalhando com as expectativas nas sequências mais tensas e principalmente nas mais paradas. O filme traz um vilão que vai do estranho ao engraçado, e do engraçado ao assustador de maneira natural. A empatia que ele causa no protagonista, acaba por causar no espectador também, já que fica a impressão de que apesar de ser um cara perturbado, ele não oferece perigo. Méritos para Mark Duplass, que consegue criar essa dualidade com uma atuação leve e cínica na medida certa.

Enfim, Creep é um filme muito interessante. Ele causa um riso nervoso, consegue criar tensão e diverte com uma história, até certo ponto, original. Mistura suspense, terror e altas doses de humor negro. Você pode conferir essa pérola lá no catálogo da Netflix.

Nota: 7,5

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  • Thiago

    Esse filme é uma pérola! Depois de várias bombas de grande orçamento que vi recentemente, esse foi um que me surpreendeu muito. Simples, objetivo e o principal: assustador!