Crítica: Creed – Nascido para lutar (Creed – 2015)

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Passada a desconfiança que Creed, spin off da franquia Rocky, despertou desde seu anúncio em qualquer fã da histórica saga; o receio que os primeiros e genéricos minutos do longa passaram ao espectador, restou a felicidade de descobrir ao final do filme, que há quem faça um remake/continuação/reboot com o mesmo amor, competência e sabedoria com que Sylvester Stallone iniciou a saga quarenta anos atrás.

Los Angeles, 1997. Adonis Johnson é um jovem órfão que migra de orfanato em orfanato, de reformatório em reformatório, quando é abordado por Mary Anne Creed (Phylicia Rashad), viúva do lendário boxeador Apollo Creed, que o acolhe e apresenta a ele a história de seu, até então desconhecido, pai. Anos depois, já adulto, Adonis (Michael B. Jordan) se tornou um bom homem, mas que não consegue negar os instintos de lutador que estão em seu sangue. Carregando sobre os ombros o legado de seu sobrenome, mas com o desejo forte de trilhar seu próprio caminho no esporte, Adonis recorre ao velho amigo de seu pai, Rocky Balboa, para que esse o treine e ajude-o a honrar a magnifica história de seu pai.

Não, Creed não revoluciona os filmes de boxe. Na verdade ele mantém a estrutura básica desse gênero, apresentando uma história que remete e muito ao primeiro filme da franquia, onde um lutador desconhecido tem a chance de lutar contra o atual campeão mundial. Mas a familiaridade aqui não é um problema, tendo em vista que a carga emocional,  a dinâmica dos personagens, a subtrama romântica, o comentário social e até a forma de lidar com o mundo do boxe, são completamente atualizadas pelo roteiro de Ryan Coogler e Aaron Covington. Ryan Coogler que vem de um excelente trabalho em Fruitvale Station, tem de certa forma, o mesmo desafio que Adonis. Respeitar um legado e construir uma nova história tão bonita quanto.

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E dentro de suas atribuições ele consegue atingir precisamente esse objetivo. A direção é um diferencial aqui, na maneira de conduzir a narrativa, nas homenagens aos filmes anteriores e especialmente na execução das cenas de luta. Três combates, filmados de maneiras distintas, mas igualmente fantásticas. O primeiro em um angulo mais televisivo, o segundo em um plano sequência maravilhoso e o terceiro repleto de planos-detalhes, com uma montagem que tem um estilo quase “videogamístico”. Cenas de tirar o fôlego.

As homenagens vão bem além de citações e imagens projetadas, o design de produção, a fotografia, detalhes no ambiente que apenas os mais fãs identificarão, constroem um fan service que não soa gratuito, mas como um elemento fundamental nesse universo. Outro acerto no longa está na escolha da trilha sonora, com rap, hip hop e uma composição incidental que traz elementos da icônica música de Bill Conti.

Mas é com as atuações que o filme realmente se sobressai. Michael B. Jordan mantém o ótimo nível de seus últimos papeis, ele tem carisma e seu Adonis é um personagem com quem nos importamos e torcemos, seus desafios e motivações são reais e ele está mais do que pronto para um eventual prosseguimento dessa franquia. Sylvester Stallone está na melhor performance de sua carreira, ele nasceu para interpretar Rocky Balboa, em seus melhores e piores momentos. A sabedoria do personagem agora vem com insights de bom humor, fazendo dele quase o alivio cômico do longa. E aqui ele pode não subir ao ringue, mas seu espirito de lutador segue pulsando. É justo e bem provável que ele receba uma indicação ao Oscar de ator coadjuvante.

Enfim, Creed: Nascido para lutar é um filmaço em todos os aspectos. Bem escrito, dirigido e atuado. Faz jus ao legado da franquia e trilha um novo e promissor caminho para seu protagonista. Estreia dia 7 de janeiro nos cinemas brasileiros e deve figurar nas premiações do ano que vem.

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