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Decisões questionáveis, reviravoltas impressionantes e atuações seguras marcam o suspense Cold in July, novo de Jim Mickle, diretor de Stakeland e Somos o que somos.

 

Certa noite, em uma cidadezinha no leste do Texas, o pacato moldureiro Richard Dane (Michael C. Hall) é acordado por um misterioso barulho em sua casa. Tomado pelo medo e pela obrigação de proteger sua família, ele acidentalmente atira e mata o invasor. O que parecia um caso simples de roubo e legitima defesa, acaba por se transformar em um jogo de suspense e mistério, quando a família de Dane começa a ser perseguida pelo pai do tal ladrão, mas aos poucos uma trama muito mais complexa vai se desenrolando, baseada na misteriosa identidade do tal invasor.

 

A produção se passa no final dos anos 80 e é muito bem ambientada esteticamente, com paisagens e figurinos muito bem escolhidos, além de emular muito bem características do cinema da época, como a fotografia em tons quentes e a trilha sonora incidental eletrônica fortíssima, composta por Jeff Grace. O primeiro ato de Cold in July, que envolve a vingança do pai do invasor contra o protagonista, traz um suspense crescente e digno de nota, mostrando a competência do jovem diretor de apenas 35 anos.

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O elenco está repleto de performances excelentes, começando por Michael C. Hall, que passa em suas expressões faciais e corporais a tranquilidade misturada com covardia de Richard Dane, mas que também consegue construir com louvor sua transformação. O veterano Sam Shepard tem uma atuação contida, mas extremamente densa. Além do carismático Don Johnson, que cai de paraquedas no meio do filme no papel de um detetive particular fanfarrão, e que se transforma no responsável pelos poucos momentos de humor (negro, eu diria) da trama.

 

Infelizmente um dos trunfos de Cold in July, acaba por se tornar seu ponto fraco. A quantidade de reviravoltas que povoam o roteiro escrito por Mickle e Nick Damici, com base no romance Bubba Ho-Tep de Joe Lansdale, não cabe na 1h49min de duração do longa. Informações são perdidas no caminho, sub-plots ficam sem conclusão e o desenvolvimento dos personagens acontece de maneira apressada demais. Por isso fica a impressão de que o formato de minissérie se encaixaria perfeitamente aqui, quase que como uma temporada de True Detective.

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Enfim, mesmo com alguns defeitos, furos no roteiro e uma leve sensação de potencial desperdiçado, Cold in July sai com média positiva, graças a sua impressionante qualidade técnica, ótimas atuações e trama que beira o surreal, indo de legitima defesa e vingança, até máfia e snuff movies.

 

Nota: 7,5

 

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