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Cinquenta estranhos acordam em uma enorme e misteriosa sala, sem ter a menor ideia do porquê ou de como foram parar lá. Organizados em um grande círculo e dentro de círculos de luz individuais, eles rapidamente descobrem que a cada dois minutos um deles deve morrer, graças à ação de um estranho aparelho no centro da sala. Logo eles percebem que os ataques não são aleatórios, e que eles têm que decidir quem é o próximo a morrer. Agora eles se veem no dilema de escolher quem merece ser morto, e na dúvida do propósito daquilo tudo, além da incerteza do que acontecerá quando restar apenas uma pessoa.

É um filme que traz algumas semelhanças com o cult ‘O Cubo’, de 1997, em vários aspectos. Na essência, que junta desconhecidos em uma situação misteriosa; Na realização, com um orçamento limitadíssimo; E até na qualidade questionável das atuações. Mas entendo que ‘Circle’ tem mais ciência de suas intenções como obra, que além de contar sua história, reflete de maneira clara a essência da sociedade atual, sem cair na arrogância de se excluir disso ou de dar uma lição de moral.

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O roteiro, mesmo que algumas vezes soe exageradamente expositivo, traz detalhes bastante interessantes e significativos. Nos é mostrado a facilidade com que algumas pessoas são manipuláveis, apenas esperando alguma imagem de liderança para seguir, e como estão altamente dispostas a trocar de liderança, mudando de lado e se tornando uma contradição de si mesmo. Vemos também a maneira como as pessoas julgam umas as outras sem saber quem elas são, levando em conta características como nacionalidade, etnia, classe social, crença, orientação sexual, profissão, etc. O filme expõe a hipocrisia e os preconceitos inerentes ao ser humano, e mostra como esses comportamentos são maximizados em situações extremas, especialmente a mais extrema de todas: a busca pela sobrevivência.

Por essa preocupação pela ideia, os aspectos técnicos são deixados de lado. É tudo muito simples, o longa se passa inteiramente em um mesmo cenário, que não permite grandes experimentações. A fraqueza do elenco prejudica o resultado, mas nada extremamente comprometedor.

Enfim, ‘Circle’ é um filme que traz uma análise simples e despretensiosa da sociedade, levantando questões como moral e ética em meio à busca pela sobrevivência. A ideia é melhor do que a execução, mas mesmo com os problemas e com o final vago, é um filme relevante que merece ser visto. Tem no Netflix.

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  • Alex Balbino

    Acabei de assistir. Achei a produção um pouco fraca ( no começo aparece detalhes, mas depois, eles não se preocupam com isso ) e o roteiro fica sonolento, discussões inúteis e sem sentido. Tentam fazer um grupo com argumentos tão fracos que se eu estivesse no circulo, me sentaria no chão de tanto tédio.

    • Carolina Carcia Cardoso

      Eu não entendi muito bem aquela última cena. Mas realmente eu fiquei o filme inteiro imaginando se poderia sentar no chão e se eles não estavam com dores nas pernas. Eu também acabei de assistir e só pra estravazar a minha raiva: Que cara filho de um égua, cacete quando eu finalmente pensei que ele era uma pessoa boa e que merecia ser um dos últimos ele fudeu com tudo. Maldito! (Desculpa pelos palavrões.)

    • Amanda Helen

      Temos que analisar os votos para entender esse final. Se a garota e a gestante votaram no cara, então ele n tinha saída teria morrido.não dava pra ter empate. porque as duas morreram? a garota votou nele? a gestante votou na garota? isso que ficou confuso. ainda mais pq o bebe ficou vivo msm depois da mae ter levado aquela descarga elétrica O.o

      • Amanda Campanate

        Elas não votaram nele. A menina concordou em se matar e ele mentiu dizendo que se mataria junto, mas quando a menina saiu do círculo, ele votou na grávida ao mesmo tempo e burlou o sistema. O bebê ficou vivo (aí só em filme mesmo) e ele votou no bebê ao ver que teve empate.

        • Gerson Arruda

          Mas porque a menina iria se matar logo naquele momento, se ambas poderiam votar nele primeiro e só depois decidirem entre elas quem viveria? Não fez muito sentido depois das 2 terem presenciado tanta “filadaputagem” acreditar no cara.

          • Jonathan

            Ele queria a criança no final justamente pq poderia manipulá-la facilmente. Ele propôs que ambos se matassem juntos e ela acreditou.

      • Eu achei o final bastante claro. Não podia ter empate, e o bebê não podia votar.

        Eu gostei muito do filme. E acho que não poderia ter argumentos melhores para as escolhas por dois motivos: 1. por ser um filme sobre a sociedade, o filme mostra que as pessoas têm a tendência de seguirem preconceitos e superficialidades, logo não iríamos encontrar boas razões para votos; 2. considerando que se tem poucos minutos para decidir, diante da iminente morte, o próprio desespero se encarrega de impedir que cada pessoa trouxesse fortes argumentos – e o pouco tempo não daria para dar vez e voz para todos.

        • Marcia Oura

          No final, eu achei que na verdade quem morria no jogo era devolvido pra terra e na verdade era um teste pra saber quem poderia ir com eles e só sobrou o bebê.

  • Jonatas Ramos

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  • Robson Eduardo Martins

    Não entendi o final. Alguém me explica? Me pareceu uma bosta esse filme!

  • Pingback: Rebirth (Rebirth - 2016) - TaxiCafé()

  • Danilo Montuan

    Se formos generosos no sentido de tentar encontrar nesse roteiro algo inteligente, poderíamos utilizar a seguinte interpretação: o “jogo” dos alienígenas era nada mais que uma “higienização” da raça humana, pelo critério de ficar por último a pessoa que fosse capaz de aliar a moral e a inteligência até a situação mais extrema possível. Foi exatamente o que o último rapaz fez, pois só abdicou da “moral” quando o instinto de sobrevivência falou mais alto.
    A intenção deles poderia ser criar um mundo novo, apenas com crianças e com os melhores adultos capazes de criá-las. Mas essa interpretação perde o sentido, quando a gente pensa que muitas pessoas que poderiam estar qualificadas para esse “novo mundo” perderam suas vidas dentro do jogo sem uma razão aparente. A única interpretação mais lógica que é possível dar ao filme, é que tratou-se de um estupido jogo dos alienígenas sem propósito, onde as qualidades do sobrevivente são indiferentes. O que é algo decepcionante e sem muita lógica.
    Enfim, acho que o roteirista, na tentativa de ser “cool” e deixar encoberto o significado da história, acabou deixando muitos furos que culminaram numa história empolgante na sua superfície mas sem nexo no seu fundo.

    • Gerson Arruda

      Bem, se a idéia dos alienígenas fosse uma higienização por critérios de moral e inteligência, eles falharam miseravelmente, pois quem ficou por ultimo foi o mais filho da puta, capaz de enganar até mesmo uma criança e uma mulher grávida para sobreviver. o cara tinha tudo , menos moral. isso é o que me deixa mais irritado c/ o filme. não existe um critério identificável na escolha do vencedor.

    • Jonathan

      Ele não abdicou da moral, desde o princípio essa sempre foi a intenção dele, de deixar a criança, que ele poderia manipular facilmente, e a grávida para que ele tivesse chance de ser o último.

  • Gerson Arruda

    Gostei muito do filme até o final, que não fez nenhum sentido. Há uma diferença entre um final aberto, mas coerente, de um final sem sentido. Entendi o final como o @Danilo Montuan, mas caí na mesma premissa que não faz sentido. Na verdade estava esperando que as pessoas “mortas” não tivessem realmente morrido no final,

    • Jonathan

      Eu achei coerente. Junto com o sobrevivente estavam outras pessoas que passaram a mesma situação e sobreviveram: crianças, grávidas e provavelmente inteligentes.

  • Alexandre Marcello de Figueire

    Faltou explicar o motivo pelo qual às pessoas foram parar lá.