Crítica: Cashback – Bem vindo ao turno da Noite (2006)

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Ás vezes, ao fim de um relacionamento, fica a sensação de que a tristeza que se instaura faz o tempo andar mais devagar. Estendendo o sofrimento e a melancolia de ver os cacos daquilo que foi construído. É assim que se encontra a vida de Ben Willis (Sean Biggerstaff), um estudante de arte que acaba de sair de um longo relacionamento. Para piorar, ele foi “dominado” por uma insônia que praticamente aumentou sua vida em um terço, já que as oito horas que ele passaria dormindo, agora são dedicadas a relembrar e ruminar esse rompimento em sua mente. Para ocupar esse período, ele arruma um emprego no turno da madrugada em um supermercado, onde terá a oportunidade de encontrar novas maneiras de lidar com o tédio e com a separação.

Passeando entre gêneros, ‘Cashback’ dosa momentos do mais típico humor britânico, principalmente na cena da partida de futebol, com insights de dramas existencialistas e quantidades consideráveis de comédia romântica. E apesar da mistura não soar tão desejável, o resultado é bastante gratificante. O roteiro, apesar de simples, é muito bem escrito e utiliza dos personagens e de seus relacionamentos para explorar temas como a influência do tempo na vida das pessoas, oportunidades perdidas e é claro, o amor.

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A busca pelo amor durante a juventude é um tema clichê, e sim, esse peso é sentido aqui, a trama é um apanhado de trivialidades e estereótipos, mas a maneira com que o protagonista lida com eles é que se destaca. Mesmo com algumas reflexões traduzidas em frases de efeito, a mensagem é passada de maneira leve e despretensiosa. No meio disso ainda temos um estudo sobre a visão de um artista sobre a beleza, mostrada aqui pela admiração do personagem para com o corpo feminino (o filme tem muita nudez, mas não de maneira “pornográfica”).

O elenco não conta com nenhuma atuação espetacular, mas todos os atores funcionam em prol do filme. A fotografia merece aplausos, linda, aliada a uma iluminação primorosa e a cenários muito bem escolhidos. Destaque também para a montagem fluída, que cria transições interessantes e criativas entre as cenas, principalmente as que trazem flashbacks da infância de Ben. Efeitos e invenções visuais simpáticas e úteis para a narrativa ajudam a coroar o excepcional trabalho técnico do longa.

Enfim, o diretor e roteirista Sean Ellis junta conceitos batidos, gêneros “conflitantes” e um trabalho visual característico, põe tudo na mesma panela e entrega um filme leve, carismático e muito gostoso de assistir. Surpreendente, pra dizer o mínimo.

 

Nota: 8,0

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