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Franklin Hunt (Kurt Russel) é o xerife durão da pacata cidade de Bright Hope, que ao desconfiar das intenções de um forasteiro recém-chegado, acaba por baleá-lo e leva-lo para delegacia. Para prestar cuidados ao prisioneiro, a enfermeira local Samantha (Lili Simmons) é solicitada. Só que durante a noite, ambos – além de um dos assistentes do xerife – são sequestrados por uma misteriosa tribo indígena. Agora uma força tarefa formada pelo xerife, seu velho assistente (Richard Jenkins), um pistoleiro arrogante (Matthew Fox) e o marido da enfermeira (Patrick Wilson), partirão em meio ao deserto para resgatar essas pessoas, sem saber exatamente o tipo de índio que os aguarda.

Durante os 132 minutos de projeção, o diretor S. Craig Zahler consegue realizar uma obra que orna de maneira curiosamente precisa dois gêneros distintos. Nos dois primeiros atos se constrói um western de resgate, com uma narrativa cadenciada, que se preocupa em apresentar bem os personagens, suas características e personalidades; e no terceiro ato a obra se transforma em um filme de horror brutal, cheio de tensão e com sequências ferozes de fazer inveja a Eli Roth e sua trupe.

BONE TOMAHAWK

Para esse desenvolvimento lento funcionar com o espectador, é necessário empatia com o quarteto de cowboys que ocupa a tela na maior parte do filme. E isso acontece graças a um bom roteiro, que consegue mesclar momentos de atrito com uma ideia de companheirismo, além de possuir momentos de um senso de humor satírico bastante apurado. Outro fator determinante é o bom desempenho do elenco principal: Kurt Russel domina esse estilo bad ass do xerife; Richard Jenkins dá um show com o melhor personagem do longa, tagarela, porém sábio; Patrick Wilson sempre competente, convence em sua motivação; e Matthew Fox, que está surpreendente bem na pele do pistoleiro meio babaca, mas tão bad ass quanto o próprio xerife. Ao mesclar os gêneros respeitando suas convenções mais enraizadas, o filme acaba por usar de um artificio do western para fugir de um dos defeitos do horror atual: a descartabilidade dos personagens. É essencial que o espectador se importe com os personagens para que as eventuais mortes realmente sejam sentidas, o que é raro no gênero hoje em dia, mas que é visto aqui.

Quando vira a chave no terceiro ato, Bone Tomahawk não só se transforma em um filme de terror, como se torna um dos melhores exemplares para quem gosta dos tipos mais gráficos desse gênero. Há uma cena aqui que ficará na sua mente por um bom tempo e que bota qualquer tentativa de chocar visto nos torture porns do Eli Roth, coisa de criança.

Enfim, Bone Tomahawk é uma mistura de gêneros que funciona perfeitamente bem. Não é um filme pra todo mundo, pelo seu ritmo lento e pela brutalidade de algumas cenas, mas quem estiver disposto a conhecer uma mistura de Rastros de Ódio com Holocausto Canibal (eita), fica a recomendação.

Nota: 8,0

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