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É sempre triste quando um cineasta extremamente competente vem a derrapar. É bem verdade que Michael Mann já não está em seus melhores dias, mas nem isso justifica o resultado de sua nova empreitada.

A trama de Blackhat é um dos primeiros sinais de que algo dará muito errado. Grandes potências do mundo estão sofrendo ataques cibernéticos de um hacker misterioso, o que já causou um vazamento em uma usina nuclear na China, e também um rombo nas bolsas de valores americanas. Os dois países então resolvem unir forças para acabar com os planos do criminoso, e a maneira encontrada é chamar um outro hacker, que foi preso anos atrás, para ajudá-los na missão. Sério, quantas vezes esse plot de chamar um bandido fodão para deter outro bandido fodão, vai ser reciclado? Você pode fazer melhor, Michael.

A partir desse ponto de partida, tem início o jogo de gato e rato mais entediante que o cinema já viu. O roteiro caminha lentamente alternando momentos em que eles fazem parecer que ser um hacker é a coisa mais simples do mundo, com outros em que eles mostram que realmente houve pesquisa sobre o tema. Confuso. Enquanto os personagens viajam de um país para o outro, o interesse se perde em meio a uma narrativa truncada e um desempenho preguiçoso e apático de todo o elenco.

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Hemsworth pode até ser carismático como o deus nórdico Thor, mas aqui sua inexpressividade e aparente desinteresse pesa muito. Sua colega de cena, a chinesa Wei Tang, também não fica atrás, e ambos formam um casal sem a menor química em um romance que ninguém sabe de onde veio. Sua relação e todo o “desenvolvimento” do roteiro conta com diálogos clichês entre os protagonistas e todos os outros coadjuvantes, igualmente perdidos.

É verdade que nem tudo é terrível no filme, a composição técnica, sempre bem executada pelo diretor, está impecável. A fotografia tem um quê de modernidade e algumas tomadas são realmente muito bem feitas, principalmente os takes aéreos. Mann também mostra que ainda sabe realizar boas sequências de ação, as poucas cenas de tiroteio são muito bem realizadas e viram os pontos altos do longa.

Infelizmente, é pouco para salvar o filme de seu desempenho inconstante e maçante. Blackhat é o pior filme da carreira de Michael Mann, com seríssimos problemas de ritmo e de coerência. Um desperdício de tempo e talento.

 

Nota: 4,0

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