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Quando coloquei ‘Air’ na lista de apostas para 2015, justifiquei as esperanças dizendo que o filme seria produzido por Robert Kirkman, criador de ‘The Walking Dead’ e que marcaria uma transição interessante. Foi a primeira empreitada cinematográfica de Christian Cantamessa, nome forte da área criativa da Rockstar Games, roteirista de jogos como ‘Red Dead Redemption’, ‘Manhunt’, ‘Shadow of Mordor’ e ‘The Crew’. Realmente a premissa e os envolvidos passavam confiança, uma pena que o potencial não foi bem trabalhado.

A trama se passa após uma catástrofe química-nuclear ter dizimado a população e envenenado a atmosfera da Terra. Antes disso, uma instalação subterrânea foi criada para abrigar capsulas criogênicas com as pessoas que foram escolhidas para reabitar o planeta. Bauer (Norman Reedus) e Cartwright (Djimon Hounson) são os funcionários que trabalham na manutenção do local. De tempos em tempos eles são despertados de seu sono criogênico para checar a situação e realizar ajustes na instalação. Em um desses momentos despertos, depois de muito tempo na função, um conflito colocará em xeque sua relação, sanidade e a própria vida de ambos.

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O roteiro escrito pelo próprio Cantamessa abre várias possibilidades para a história, que infelizmente, ou são trabalhadas de forma rasa, ou nem são abordadas. O que você faria se soubesse que é uma das duas únicas pessoas vivas no planeta? Como aceitar o fato de que sua missão é preservar a vida de pessoas que são consideradas muito superiores em importância do que você? Como manter a sanidade estando enclausurado por anos, sem qualquer certeza de que isso será útil, ou se um dia você sairá de lá? Pouco disso é realmente abordado, o roteiro prefere seguir por um suspense que traz um conflito estranho entre os dois personagens.

Existe, de fato, um clima claustrofóbico no ar, eles estão presos num buraco, afinal. Mas alguns cenários aliviam demais essa sensação, são amplos e claros. A urgência da trama é reforçada por um cronometro, que marca o momento em que os personagens devem voltar para suas câmaras, isso ajuda na aflição do espectador, mas os próprios personagens tratam isso com muita naturalidade. Quebra demais o clima.

Norman Reedus não é um cara de grandes variações dramáticas, então se você já viu qualquer episódio de ‘The Walking Dead’, saiba que sua atuação aqui é igual. Já, Hounson, que tem muito mais recursos que seu colega de cena, sofre com a inexperiência do diretor. Em suma, ‘Air’ passa por uma série de escolhas erradas, em praticamente todos os seus aspectos, além de um problemático desperdício de ideias interessantes. É um filme que não chega a ser ruim, mas também não é bom… ele praticamente não é.

Nota: 5,0

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