O título em português desse filme é O Carma de um Assassino, mas eu me recuso a chamá-lo assim.

Caso você não saiba, leitor desavisado, existe um submundo dos filmes de luta. É um submundo muito produtivo, onde se escondem promissores dublês e artistas marciais, ex lutadores de MMA e membros da WWE que não tem o mesmo carisma do The Rock. Um submundo onde dezenas de películas são lançadas todos os anos, geralmente direto em home vídeo. De onde submergiu um atlético Jean Claude Van Damme lá nos anos 80, por exemplo, na época em que alguns desses filmes de luta iam parar nas tardes da tv aberta. O que não acontece mais, infelizmente, no máximo esses filmes passam nas noites da Band, privando assim nossas crianças da boa e velha pancadaria desenfreada. Privando também Scott Adkins, astro maior desse submundo na atualidade, de seu devido reconhecimento.

Em Accident Man, filme que adapta os quadrinhos do britânico Pat Mills, Scott vive Mike Fallon, um assassino profissional requisitado e conhecido por fazer seus trabalhos parecem apenas infelizes acidentes. Ele faz parte de uma espécie de “sindicato” de assassinos, que recebe e delega os trabalhos de acordo com as especialidades de cada um. Certo dia Fallon recebe um telefonema dizendo que sua ex-namorada, uma ativista ambiental que o havia deixado por outra mulher meses antes, foi morta em um assalto. Desconfiado, Fallon inicia uma investigação que colocará em risco sua profissão e sua vida.

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Scott Adkins e Jesse V. Johnson, astro e diretor de Accident Man, respectivamente, dão aqui o chamado passo maior do que a perna, o famoso morder mais do que pode mastigar, ou qualquer outra variação desse ditado. Tentam entregar um filme um pouco mais ambicioso do que seus portfólios no submundo dos filmes de luta recomenda e acaba faltando substância para isso. As situações e informações fornecidas no início do filme vem tão redondinhas, tão ajeitadinhas, que fica bem evidente a forma que elas se encaixarão no desenrolar da trama. E não tem reviravolta ou subversão, as coisas acontecem exatamente como elas aparentam que vão acontecer. Mas ok, talvez não devamos exigir tanto de Adkins em sua primeira aventura como escritor.

Accident Man tem um senso de estilo familiar, combinando-o com a trama do filme podemos analisar que é como se o Guy Ritchie tentasse dirigir a sua versão de John Wick, mas sofresse um derrame no processo. A violência estilizada, o sotaque carregado e os humores britânico e politicamente incorreto estão aqui, mas numa versão meio “lesada”, principalmente no que diz respeito ao humor agressivo. As piadas que tentam ser mais ácidas, envolvendo o patriotismo e a fleuma britânica ou pautas como ambientalismo e sexualidade não conseguem fazer rir, na verdade elas não conseguem sequer ofender, só soam meio patéticas.

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Mas então o filme é ruim, é isso? Não exatamente, caro leitor. Por incrível que pareça, a experiência de assistir Accident Man é boa no contexto correto. Se você é capaz de acessar aquele espirito de quando via O Grande Dragão Branco na tarde de sábado, da época em que você achava que “tijolo não revida” era um exemplo de diálogo bem escrito e que a cena do Van Damme lutando cego era a expressão máxima da sétima arte, digna de uma indicação ao Oscar, você vai curtir esse filme também. Tem arquétipos de personagens fáceis de simpatizar, um protagonista canastrão bad ass, vários coadjuvantes canastrões e bad ass, cenas de ação limpas e bem executadas e o que importa no fim das contas, uma porradaria honesta, bem coreografada e divertida de se ver.

Não é o filme que transformará Scott Adkins no Jean Claude Van Damme dessa geração, mas com um pouco mais de dedicação e sorte ele pode se tornar pelo menos um novo Jason Statham.

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Avaliação.
Regular

Vinicius Salazar

24 anos, mais ou menos estudante e muito Corinthiano. Fã de filmes e séries que ninguém vê.

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