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CUIDADO! Contém leves spoilers!


 

É realmente engraçado quando um filme coloca em seu poster: Filme A encontra Filme B. Eu nunca vi verdade nesse tipo de publicidade, até agora…

“Uma mistura de Richard Linklater com H.P. Lovecraft”

O jovem Evan (Lou Taylor Pucci) acabou de perder sua mãe para o câncer. Pouco tempo antes seu pai também falecera. Desempregado, desmotivado e sem perspectivas futuras, Evan pega sua mochila, seu passaporte e parte para a Itália, à procura de novos ares para sua vida. Lá ele conhece a belíssima Louise (Nadia Hilker), uma italiana por quem se apaixona e com quem começa a planejar um recomeço.

O filme tem uma montagem que flui calmamente, com toda uma pegada de romance europeu e que realmente remete aos filmes de Richard Linklater, principalmente a ‘trilogia Before’. Intercalando momentos de romance embalados por diálogos muito bem construídos, ele vai nos preparando para o plot twist inserindo cenas que inicialmente parecem desconexas, com aranhas capturando suas presas, lagartas entrando em seus casulos, serpentes, mas que no fim trabalham para um propósito nobre.

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Isso por que a bela Louise guarda um segredo, ela é uma criatura milenar que assume formas monstruosas, uma mescla de lobisomem, monstro do lago, vampiro e outra sorte de seres amedrontadores. Toda essa mistura de gêneros e conceitos passeiam muito bem entre o romantismo, o humor, o drama e o horror ‘lovecraftiano’. Isso com as paisagens do litoral italiano tornando tudo ainda mais poético, com a ajuda de uma fotografia esfumaçada e um clima onírico que contribuem para o bom desenvolvimento da trama.

A dupla de protagonistas é excelente, Lou Taylor Pucci é expressivo e encarna perfeitamente o tipo de jovem desolado e sem rumo. Nadia Hilker é uma femme fatale apaixonante e misteriosa, e também desempenha seu papel de maneira esplêndida.

É bem verdade que a jovem dupla de diretores, Justin Benson e Aaron Moorehead, erra a mão no terceiro ato. O filme descamba para uma melosidade exagerada e para uma tentativa forçada de explicar o inexplicável. Mas apesar disso, a totalidade da obra acaba por compensar. ‘Spring’ é um filme criativo, original e muito bem executado, que com certeza merece ser visto.

 

Nota: 8,0

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