Cães do Rei – Um ex-nobre, um pintor e um assassinato

Cães do Rei

Sempre gostei de um bom livro de aventuras, talvez por conta dos jogos ou mesmo, por conta do Bernard Cornwell, autor cujos livros sempre devoro. Então, sempre que vejo uma capa que remete a uma boa aventura, logo me interesso. Cães do Rei de Martin Jensen foi um desses casos.

Titulo: Cães do Rei
Título Original: The King´s Hounds
Autor: Martin Jensen
Tradutor: Paulo Cezar Castanheira
Editora: Record

O livro conta a história de Winston, um ilustrador, e Halfdan, um ex-nobre – ou um nobre sem propriedades – que juntos precisam desvendar um assassinato.

O enredo se passa na recém-formada Inglaterra. Os herdeiros de Alfredo ainda são lembrados, as terras ainda estão devastadas pelos ataques vikings, saxões recusam-se a acatar o poder de um viking, assim como vikings recusam-se a acatar o poder de um nobre saxão. Porém, Cnut, o Rei por direito, quer todos os povos sob um mesmo estandarte.

Quem gosta da saga Crônicas Saxônicas de Bernard Cornwell, com certeza reconhece alguns nomes e lugares.

A história inicia com Winston sendo contratado por um mosteiro para ilustrar um livro que contava a história de Eteldreda, como presente para o Rei saxão. Até ele ser convocado pela primeira mulher de Cnut, e assim, partir em direção a Oxford.

No capítulo seguinte, temos a história de Halfdan, um ex-nobre pobretão que vive de pequenos roubos , grandes aventuras e altas confusões – globo, tô aqui. Ele é tão fodido, que precisa roubar até mesmo para comer.

Já no início, eles se unem por motivos bastante simplórios. Winston precisa da companhia de Halfdan por conta da segurança e o Halfdan precisa da companhia de Winston, por causa da grana.

Logo que chegam em Oxford, acontece o assassinato de um nobre saxão e, ao ver o corpo, Winston mostra imensa capacidade de pensar. Notando essa capacidade, e alegando o quão difícil é encontrá-la, o rei os recruta para desvendar o crime.

Aqui temos aquela história – sempre envolvente – de conspiração, um assassinato e 10 suspeitos, desde o Rei até mesmo o mais pobre serviçal.

Achei o livro muito bom, pecando somente na tradução dos nomes. Por conta disso, é um pouco difícil saber qual linhagem real estamos tratando ou se já conhecemos o caráter daquele personagem. Em contra partida, todos os diálogos e acontecimentos foram traduzidos com maestria, não causando problemas com expressões sem sentido.

Uma característica muito marcante do livro é a escolha pelo desfecho simples, evitando possíveis furos ou repetições. Ainda que eu tenha sentido falta de alguma passagem que fizesse pensar “Eles são fodas”, não considero isso negativo, longe disso. Acredito que tenha sido opção do autor em deixar os protagonistas serem pessoas mais simples. Tanto que no desfecho da historia, o autor tomou o caminho mais simples e inteligente, até mesmo surpreendente, visto estar acostumando com o caminho mais tortuoso, e foi entregue algo bem diferente do esperado. E isso, é motivo de sobra para parabenizar o autor, Martin Jensen.

História divertida, leve e gostosa de ler. O clima não fica pesado, mas nem por isso deixa de ser frenético.

Nossos mocinhos não são detetives gênios e a história não possui as maiores reviravoltas, mas na forma como foi feito isso, são pontos positivos. Deixou a aventura fluida.

Se você gosta de Bernard Cornwell ou Conn Iggulden, pode ler sem medo, tenho certeza de que gostará do trabalho realizado por Martin Jensen.

Martin Jensen é um iniciante e por esse trabalho já fica claro que nos próximos anos teremos grandes obras.

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