Black Mass - A aliança do crime

Se eu tivesse de escolher um motivo para indicar Aliança do Crime (Black Mass), eu diria que, finalmente, Jhonny Depp exorcizou o Cap. Jack Sparrow. Não há uma sombra sequer do ébrio pirata caribenho no mafioso James “Whitey” Bulger. Embora alguns tenham criticado a maquiagem, eu achei a caracterização muito boa. Esquecemos o quanto o Jhonny Depp é lindo e relembramos, com gratidão, que ele é um ator. O que mais me encantou foi seu jeito de falar. Ele adotou um tom de voz soturno, que conferiu um ar constantemente ameaçador ao personagem. A atuação dele me agradou bastante, aliás é o que sustenta a produção.

Ainda que a atuação de Depp tenha sido ótima – e o suficiente para que eu indique o filme – não dá para dizer que estamos diante de uma obra prima da 7ª arte. O filme é bom, prende a atenção e até vale o ingresso do cinema, mas fiquei com a impressão de que foi feito “às pressas”.

Os personagens são rasos, não temos muitos detalhes de suas histórias e isso faz falta. Às vezes, deixamos de entender totalmente suas ações. E isso não tem a ver com ser enigmático, é mais com pontas desamarradas mesmo.
O policial do FBI, John Connolly, que começa a aliança com Whitey, o faz, inicialmente, por ideal. A aliança é um mal necessário para obter informações para capturar os membros da máfia italiana. Whitey não se classifica como um informante, pois, para ele, trata-se de troca de interesses. Afinal, com a prisão dos italianos, seria ele quem passaria a controlar os negócios desta área. Porém, mesmo após a prisão dos membros da máfia, o policial mantém o acordo com Whitey, o que lhe deixa livre para cometer atrocidades, protegido pela polícia, devido a sua condição de informante.

E é ai que sinto falta de detalhes. Conforme Whitey vai crescendo e conquistando território, o policial continua lhe protegendo. A essa altura deduzimos que já seja por benefícios pessoais e não mais por ideal. Mas nada é tão óbvio. Todas as atitudes dos criminosos são tão resumidas, tão rapidamente comentadas, que a sensação de que não fizeram direito é inevitável.

Além disso, o filme poderia ter explorado a relação de Whitey com seu irmão, um poderoso senador. Seria ingenuidade aceitar que eles mantivessem suas carreiras profissionais independentes e que um não ajudasse o outro. Porém, no filme, essa ligação passa praticamente em branco e eu senti que faltou coragem. Teria sido bem mais original e interessante…

E assim, ficamos com a sensação de “uma vida inteira que podia ter sido e que não foi” (I <3 Bandeira).

 

E aí, quem já assistiu ao filme? Gostaram? Será que fui eu que criei expectativas demais? Comentem aí suas opiniões, é sempre ótimo discutir cinema!

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