Ash vs Evil Dead é um fenômeno. Antes mesmo de estrear no ano passado, já tinha sua segunda temporada garantida. E nesse ano, antes da metade da temporada atual, já tinha garantido a terceira, que vai ao ar em 2017. Essa segunda temporada, que acabou no último domingo, não só sustentou o nível da estreia como o elevou. Depois do trato com a demônio Ruby, Ash, Pablo e Kelly foram festejar em Jacksonville, mas como nada permanece em paz na vida do herói, logo tiveram que se reunir para despachar uma nova ameaça.

E os níveis de trasheira aumentaram consideravelmente, sangue, tripas, fezes e outros fluídos jorraram nessa temporada, que foi muito mais escatológica do que a anterior. Aqui temos tudo que uma série trash precisa, personagens absolutamente xaropes, piadas que passam muito longe do politicamente correto e doses cavalares de puro nonsense.

Ash vs Evil Dead Season 2 2016

É o clima dos filmes originais e de sua época de lançamento transportados diretamente para cada episódio, e não de forma gratuita, mas numa história interessante e com um ritmo muito gostoso de se acompanhar. O show ainda conta com o protagonista mais carismático de todos os tempos, Bruce Campbell é Ashley Williams, em toda sua canastrice, em cada levantada de sobrancelha, em cada sorriso cínico. É impressionante o controle que Bruce tem do personagem, e como ele domina a tela quando aparece.

Mas os coadjuvantes não ficam atrás, Kelly e Pablo começam como um contraponto a insanidade da vida de Ash, mas aos poucos se tornam tão despirocados quanto. É muita maluquice pra uma série só. E talvez por isso ela, não intencionalmente já gerou alguns filhos bastardos pela televisão a fora. Como um ataque de oportunidade, os produtores e criadores que tinham em mãos algo relacionado a esse espirito trash, viram no sucesso e aclamação da série produzida pelo Sam Raimi, a oportunidade de ganhar alguns espectadores e mais do que depressa botaram suas cartas na mesa.

Stan Against Evil

Os menos gentis podem logo acusar Stan against Evil de ser uma cópia descarada de Ash vs Evil Dead, e eles não estão totalmente errados. Até a estrutura do título é bem parecida. Em uma cidadezinha do interior de New England, existe uma maldição. Todos os xerifes da cidade estão condenados a morte, graças ao Xerife Eccles, que séculos atrás mandou para a fogueira uma centena de bruxas. O único não afetado pela maldição foi o Xerife Stan, mas por que secretamente sua esposa atuava como guardiã da cidade. Agora que ela morreu e ele se aposentou, a nova Xerife está tendo que lidar com toda a sorte de bizarrices sobrenaturais e o único que pode ajuda-la é o velho e rabugento Stan.

Criada pelo comediante Dana Gould, que já foi roteirista de Os Simpsons e do Saturday Night Live, a série bebe muito na fonte de Ash vs Evil Dead. E tem bons momentos nesse sentido, se Ash é o tiozão que ainda se comporta como jovem, Stan é o típico velho ranzinza, quase um Eustácio de Coragem, o cão covarde, e isso gera boas piadas, também abusando do politicamente incorreto. O que deve ser entendido aqui é que as séries baseiam suas piadas em machismo, preconceito e outros absurdos, mas não como forma de naturalizar ou algo assim, é mais como um retrato satírico de pessoas de outras gerações “perdidas” no mundo moderno.

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O que falta em Stan Against Evil é o carisma e o ritmo frenético, além de uma coesão narrativa e um objetivo. A série não tem para onde ir, em alguns momentos parece apenas uma colagem de esquetes com algumas piadas que funcionam e outras não.  Os quatro personagens que mais aparecem na série se dividem em dois extremos, os muito bons e os dolorosamente ruins. O lado positivo está nos protagonistas, John C. McGinley tem uma ótima veia cômica e suas gags são realmente engraçadas. Janet Varney abusa das caras e bocas, mas suas reações são coerentes com o tipo de personagem que ela interpreta.

Já Deborah Baker Jr. e Nate Mooney são terríveis, personagens sem graça, sem sentido e sem função. Stan Against Evil foi renovada, mas precisa encontrar um rumo para seguir. As boas piadas e os momentos de trasheira não serão o suficiente para sustenta-la por mais tempo.

Crazyhead

Há quem diga que é um exagero ligar Crazyhead á Ash vs Evil Dead, mas veja bem, temos aqui uma dupla de garotas birutas – Raquel e Amy – com um senso de humor muito característico, que caçam demônios particularmente idiotas que tem um plano maligno nas mãos. Tire a trasheira visual, adicione um pouco de sentimentalismo adolescente e um sotaque britânico e voi lá. É uma versão para jovens de Ash vs Evil Dead, até na subversão do senso de humor. Se Stan e Ash trazem em seus preconceitos e estereótipos a forma de mostrar “como era antigamente”, Crazyhead brinca com o engajamento e pautas como feminismo e empoderamento para mostrar como o mundo é agora.

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E confesso que fiquei muito a fim de ver um crossover entre Raquel e Ash, pois a personagem interpretada por Susan Wokoma é tão badass e despirocada quanto ele. São apenas seis episódios que estão disponíveis no Netflix com o selo de série original. É verdade que em alguns momentos a série parte pra uma seriedade inesperada, mas mantém o espirito da coisa tresloucada e non sense. No fim das contas foi um bom ano pra quem gosta de comédias de horror que não se levam nem um pouco a sério, tomara que 2017 siga assim e vida longa ao trash, por que como diz o pessoal do WTFSubs, série ruim é bom pra caralho.

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Vinicius Salazar

Co-criador e palpiteiro do TaxiCafe. Editor do Podcast Chutão.

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