Amor Profundo (The Deep Blue Sea – 2011)

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Amor Profundo (The Deep Blue Sea, 2011) já inicia de forma impactante. Valendo-se de fades rápidos intercalando os quadros numa edição precisa que se faz presente até o último momento do filme, transcreve a tristeza de Hester (Rachel Weisz, O Jardineiro Fiel, Fonte da Vida) de forma sutil e cativante (lê-se comovente). De forma simples, o roteiro de Terence Davis, adaptado da peça de Terence Rattigan, já expõe aquilo que move a estória sem se valer de clichês. É, afinal, uma história de amor autodestrutivo.

Cuidado com a paixão, Hester. Ela sempre leva a algo feio.

Desde o começo, a trilha bela e instigante de Samuel Barber conduz através desses flashes pelos primeiros momentos de Hester junto de Freddie (Tom Hiddleston, Amantes Eternos, Os Vingadores),já expondo um perigo latente à paixão, e dos últimos momentos da protagonista com seu ex-marido William (Simon Russel Beale, Caminhos da Floresta, Sete Dias com Marilyn), jogando o espectador no meio da tempestade sem rodeios e sem perder minutos de tela. A escalada que o longa faz a partir daí é rumo a tragédia, e o faz acumulando gradativamente as angústias e arrependimentos mostradas através das poucas palavras do elegante texto do filme e pela direção destacável de Davis, tirando a fita do lugar comum.

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A obra toda é involucrada numa atmosfera de sonho, de efemeridade, valendo-se de fumaça densa em várias cenas e nos tons quentes que precisamente destacam-se nas onipresentes escuridão e frieza da fotografia de Florian Hoffmeister e da condução de Terence Davis, que usa muitos planos médios e poucos porém precisos e econômicos movimentos, por vezes exibindo quadros por mais tempo do que o usual, dando um vazio pontual à construção. Mas há momentos em que essa atmosfera é quebrada e dá lugar a uma dura reprovação na figura implicante e resoluta da personagem de Barbara Jefford (Philomena, O Último Portal) ex-sogra de Hester, e no passado que retorna para criar dúvida na persona de William, intensificando a languidez da protagonista, coisa que Rachel Weisz faz de maneira magistral em uma atuação contida e pesarosa, lembrando dessa forma também um passado talvez mais distante de sua personagem.

As parcas falhas do filme estão no seu meio, quando tem-se a impressão de que a trama não se move pela maior parte do tempo, o que não torna a película não atraente graças a edição já dita, mas deixa espaço para um descanso que seria melhor não estar presente no filme. Freddie, apesar da atuação explosiva, intensa e excelente de Tom Hiddleston – também evidenciando sua figura antes daquela paixão, um boêmio do pós-guerra – parece se estancar como aquilo que é, sem buscar muita evolução ou crescimento, longe, porém, de ser um personagem passivo.

Amor Profundo é sobre a decepção do amor, tratando a paixão como algo sem volta, como a linha vermelha cruzada, como algo finalmente natural em uma vida conservadora, mas que da mesma forma que traz a explosão da alegria pode implodir em tristeza. Talvez o amálgama do deslumbramento do amor repentino.

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