Há muitos anos, possuía um site chamado Teoricamente Falando. Em certo momento deste site, minha esposa – na época, namorada – mostrou sua verdadeira face e escreveu alguns artigos sobre torturas e mulheres assassinas. Claro que fiquei alerta, e desde então, leio sobre assunto na esperança de identificar algum sintoma.

Deixando as brincadeiras de fora, desde aquele artigo muitíssimo bem escrito – te amo – me interessei pela temática, por geralmente, parecer que saiu diretamente de um livro.

No caso de algumas assassinas, lembro da vida desgraçada que tiveram – como caso de Aileen Wuornos que inspirou o filme Monster – Desejo Assassino. Ou, as que extrapolaram o absurdo e praticamente se transformam em “contos da carochinha”, como a Elizabeth Bathory, a Condessa Sangrenta.

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Há poucas semanas me interessei pelo livro Condessa Sangrenta de Alejandra Pizarnik, e ilustrado por Santiago Caruso. Mas antes de começar a falar do livro, deixem-me explicar um pouco sobre a Condessa, e assim justificar o interesse pela história.

Elizabeth Báthory foi uma Condessa Húngara que viveu de 1560 até 1614, que foi acusada e condenada por mais de 650 assassinatos e bruxaria. Isso fez com que a Condessa em questão viesse a se tornar musa inspiradora – junto de Vlad III, Príncipe da Valáquia – de Bram Stocker em sua obra, O Drácula.

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Reza a lenda que a Condessa, em busca de retardar o envelhecimento, tomava banhos de sangue de jovens criadas e algumas jovens nobres que foram enviadas para treinamento da alta sociedade. Porém, muitos dos assassinatos tinham menos objetivo, só sadismo, a Condessa simplesmente gostava dos gritos, desespero e sangue. A maioria das monstruosidades eram cometidas à noite em suas masmorras.

Elizabeth foi condenada a morte por bruxaria e pelos assassinatos, e em sua defesa, alegou que estava exercendo seu direito de nobre em punir criadas. Era uma época doente, onde costurar a boca de uma criada, ou amarra-la a um poste – meio atual, não? – eram um direito. Vale realmente comentar que Elizabeth Báthory viveu em um período bastante doente, não existia demência ou depressão, só possessão e males da alma.

Vamos ao livro?

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A Condessa Sangrenta é um livro lindíssimo por conta das ilustrações fodásticas de Santiago Caruso e pelo excelente trabalho da editora Tordesilhas, que se mostrou de um cuidado magnífico.

Os relatos escrito por Alejandra Pizarnik são muito diferentes do que estou acostumado. Pela primeira vez, ao falar da Bathory, não se prendeu só às atrocidades ou possíveis crises políticas, mas sim à sua sensualidade. Esta Condessa é linda, sensual e cruel – louca – com vestes brancas ornamentadas.

Seus atos, mesmo os mais sujos ficam belos quando narrados por Alejandra Pizarnik e assustadores quando ilustrados por Santiago Caruso.

Sem dúvida, é um livro de coleção. O que talvez seja um pouco frustante aos leitores. A Condessa Sangrenta é um livro para curiosos e colecionadores, de fato, tem pouca coisa escrita e é possível lê-lo inteiro em duas horas.

O atrativo do livro nunca foi fazer um almanaque minucioso sobre as atrocidades da Condessa, mas sim, um livro lindíssimo sobre a maior assassina de todos os tempos.

 

 

Quer mais sobre a Condessa? Bom, ela é fonte de inspiração para dezenas de obras como livros ou filmes (e bandas, mas me abstenho).

Obviamente, existem uns filmes bem ruins, que só usam o nome da condessa, como 30 Days of Night: Dark Days ou Os Irmãos Grimm. Mas também temos o excelentíssimo Bathory: Countess of Blood que é focado mais na crise politica da época e em seus “romances” – fictícios, visto que não se tem muitos registros da época.

Os Livros percorrem o mesmo caminho, alguns só usam o nome, como o Drácula (do sobrinho bisneto de Bram Stocker), mas existem alguns excelentes como o O Legado de Bathory de Alexandre Heredia.

De qualquer modo, se você quer consumir mais e mais material da rainha da atrocidade, você pode encontrar A Condessa Sangrenta neste link. Certamente vale a leitura, com destaque para o posfácio maravilhosamente escrito por João Silvério Trevisan (poucas vezes um posfácio me chamou tanto a atenção). Tenho certeza também que as artes estonteantes do Caruso te deixarão, de certa forma, apaixonados.

Espero que tenham gostado, e qualquer dúvida, dica ou crítica, é super bem vinda.

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Milton Salles

Ai, que delicia, cara...

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  • Acho que tem uma msg subliminar na capa deste livro.. foi só eu que vi???

    • miltonsalles

      Eu acho que tem mesmo… Quando trouxe o livro para o trabalho, todos comentaram sobre isso!



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