10 adaptações de Stephen King que merecem (ou precisam de) um Remake

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É inútil lutar contra os remakes, virar a cara, fazer birra quando um filme que você gosta vai ser refeito, não adianta e você acaba por perder um novo olhar sobre velhas histórias. Nem sempre os remakes serão bons, mas nem sempre ele serão ruins também, então aproveite o lado bom desse hábito Hollywoodiano. Estamos na iminência do lançamento de It, remake da adaptação da aclamada obra de Stephen King, que será dirigido por Andrés Muschietti, de Mamá. E já que falamos no mestre, podemos lembrar que poucos autores tem um relacionamento tão extenso e inconsistente com o cinema quanto Stephen King, ele já tem algumas dezenas de adaptações de suas obras feitas, seja como telefilmes, séries, minisséries e filmes para o cinema. Tem muita coisa boa e muita coisa ruim nesse mar de adaptações, e tem muita coisa que não é ruim, mas poderia ser melhor. Então decidimos unir esses dois temas e listar 10 adaptações de Stephen King que, assim como It, merecem uma repaginada nos cinemas.

Colheita Maldita (Children of the Corn – 1984)

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É complicado esperar um remake de Colheita Maldita, até porque esse conto publicado em 1977 na coletânea Sombras da Noite já teve nada menos que 9 adaptações, sim N-O-V-E. A mais famosa (e mais relevante, eu diria) é a versão de 1984, estrelada por Peter Horton e Linda Hamilton. Não dá pra dizer que essa versão é um filme ruim, mas também não é bom. E o pior, é extremamente datado. A história traz elementos conhecidos no gênero de terror, como a cidade fantasma, a seita pagã, as crianças assustadoras. Por falar em crianças assustadoras, acho que esse foi primeiro filme (que eu me lembre) que trouxe uma criança que usava desenhos no papel para fazer premonições. Enfim, seria ótimo ter uma obra dessas entregue a um bom diretor. Frank Darabont já provou três vezes que é a melhor pessoa para adaptar uma história de King, mas na falta dele, James Wan de Invocação do Mal poderia dar um bom trato nessa história de horror com conotações religiosas.

A Hora do Lobisomem (Silver Bullet – 1985)

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Ok. Ok. A hora do Lobisomem pode ter sido alçado ao status de cult por algumas pessoas, mas sejamos francos, o filme está longe de ser bom. E o potencial da história é muito grande, ainda hoje. Como várias obras de King, A Hora do Lobisomem (ou Bala de Prata, no original) passeia entre gêneros, indo da clássica história de horror, passando pelas “aventuras infantis” e chegando ao romance policial, quase como um Stranger Things. Como os lobisomens também foram judiados pela saga Crepúsculo, tiveram alguns probleminhas pra se estabelecer na série Hemlock Grove e na franquia Anjos da Noite, seria ótimo dar uma revitalizada na carreira dos licantropos. Como diretor eu sugeriria Frank Darabont, mas Mike Flanagan, de O Espelho também poderia mandar bem. Ah, e o nome A Hora do Lobisomem é um nome bem datado também, Bala de Prata seria ótimo.

Cujo (Cujo – 1983)

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Mais uma história muito boa, mas que teve uma adaptação pouco inspirada. A história de Cujo, acompanha um cachorro da raça São Bernardo que contrai raiva e toca o terror em um sítio no interior do Maine. Um remake pode causar polêmica nessa geração que invade laboratórios para “salvar” beagles? Pode sim, mas isso não diminui o potencial da obra. Terror psicológico e uma trama familiar muito boa, que colabora para o crescimento da história. E já que eu falei de trama familiar cercada por um “evento maior”, talvez Jeff Nichols, de O Abrigo e Mud, seja o cara para a direção, mas sempre podemos recorrer a Frank Darabont.

Montado na Bala (Riding the Bullet – 2004)

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Confesso que não acho Riding the Bullet um filme ruim, mas a história tem potencial pra ser muito mais do que um filme legal. Nas mãos certas, ela pode ser uma obra prima. A trama acompanha o deprimido Alan (Jonathan Jackson), um jovem que acaba de tentar suicídio após ser deixado pela namorada. Para piorar, Alan recebe a notícia de que sua mãe sofreu um derrame, e para visita-la ele recorre a caronas pelas estradas dos EUA, e uma delas pretende levar Alan para uma viagem muito mais complexa e assustadora do que ele planejava fazer. Um remake de Montado na Bala levado para o lado mais intimista da história, como um estudo de personagem e de sua relação com a morte – ou de nossa relação com a morte – poderia alcançar m resultado muito mais expressivo do que o filme de Mick Garris.

A Maldição (Thinner – 1996)

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Não é minha história favorita de King, mas ainda sim é uma história interessante e que caberia facilmente em alguma temporada de Além da Imaginação. Um advogado com problemas para perder peso atropela uma cigana, que lança sobre ele uma maldição: ele vai emagrecer, mas sem parar, até morrer. Agora ele precisa convencer alguém dessa história, para que possa ajuda-lo a resolver o problema. A execução do filme de 1997 é esquisita, uma trasheira que flerta com o humor negro e a comédia pastelão, coisa que funcionou na época, mas poderia ser ignorada nos dias de hoje. Uma abordagem mais ácida, que embarque no viés de crítica a supervalorização das aparências e do consumismo, quase como Ryan Murphy anda fazendo em Scream Queens, poderiam tornar Thinner uma bela adaptação, quem sabe nas mãos do próprio Ryan Murphy? Ou ele ou o Frank Darabont.

O Apanhador de Sonhos (Dreamcatcher – 2003)

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O Apanhador de Sonhos é uma das minhas grandes decepções no cinema. Não conhecia a história original, mas fui pego pelos trailers, pela premissa e pelos envolvidos. Atores que não são do primeiro escalão de Hollywood, mas que costumam mandar muito bem, como Thomas Jane, Damian Lewis, Jason Lee e Timothy Oliphant. A história acompanha um grupo de amigos com uma espécie de ligação telepática, que se veem isolados por uma nevasca em meio a uma situação de invasão alienígena. Mas algo deu muito errado no processo. O que era pra ser quase como um Strangers Things com adultos (a premissa e o clima são parecidos) virou uma bagunça total. Um filme estranho, irregular, que merece ser revisitado de maneira mais digna. Quem sabe até pelos Irmãos Duffer, criadores de Stanger Things. Já que não deixaram os caras refazerem It, entreguem Dreamcatcher para eles. Ou pro Frank Darabont.

O Cemitério Maldito (Pet Sematary – 1989)

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Uma inserção polêmica, o filme original pode ser tratado como clássico e tudo o mais, mas um remake não seria nada mal para a história de Cemitério Maldito. Mais para fins de revitalização do que qualquer outra coisa, a versão cinematográfica da história da família Creed e de suas desventuras ao se mudar para perto de um cemitério amaldiçoado é datada demais. Sei que é difícil abrir mão do gato bizarro e de uma das crianças mais assustadoras do cinema, mas pensem no que caras como Mike Flanagan ou James Wan não fariam com essa história. Some todo o potencial da obra original com o currículo desses dois, que são responsáveis por alguns dos melhores filmes de terror dos últimos anos, e podemos ter um novo clássico.

As últimas três inserções da lista são telefilmes ou minisséries em poucos capítulos, afinal, muitas das obras de King também foram das páginas direto para a tv. O que não signica que não funcionariam nos cinemas.

Os Vampiros de Salem ou A Mansão Marsten (Salem’s Lot – 1979)

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Baseado no segundo romance publicado por King, conta com uma trama que se passa na Nova Inglaterra, onde fatos inexplicáveis começam a perturbar a pacata cidade de Jerusalém’s Lot, coincidentemente após a chegada de dois forasteiros. O que os moradores ainda não sabem é que podem estar lidando com uma ameaça vampiresca. Tobe Hooper é diretor de dois clássicos do horror, O Massacre da Serra Elétrica e Poltergeist, mas aqui ele errou feio. Para uma minissérie em duas partes, falta ação, falta desenvolvimento, falta terror, falta basicamente tudo. Mas a premissa é boa, com uns ecos de A Hora do Espanto, uma refilmagem poderia funcionar muito bem, bons filmes de vampiro seguem em falta, e eu até toparia ver o filme dirigido pelo Rob Zombie. Mas eu prefiro o Frank Darabont.

Fenda no Tempo (The Langoliers – 1995)

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Confesso que o maior problema de The Langoliers é o spoiler gigante no título em português. O filme (na verdade é uma minissérie em duas partes, mas eu vi como filme), tem toda a aura de Além da Imaginação, com um plot instigante e bem desenvolvido, além de uma concepção de tempo das mais interessantes que eu já vi. Pra quem não sabe, a trama acompanha um voo comercial de Los Angeles para Boston, onde dez passageiros, que dormiam, ao acordarem descobrem que são as únicas pessoas no avião. Mesmo assim eles conseguem pousar no aeroporto mais próximo, que fica no Maine (ah vá?). O que eles encontram é um lugar completamente vazio, mas esse não é o único mistério com o qual eles terão que lidar. O remake serviria basicamente para diminuir as quase quatro horas de duração, atualizar os efeitos especiais e principalmente, tornar conhecida umas das mais instigantes obras do autor e uma das mais esquecidas adaptações. Mas enquanto não acontece, vejam o original que vale a pena.

A Tempestade do Século (Storm of the century – 1999)

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Little Tall, uma pequena cidade que fica em uma ilha longe do continente e que está prestes a ser atingida por uma tempestade de neve sem precedentes. Ao mesmo tempo, surge no local o misterioso Andre Linoge (Colm Feore), um forasteiro que diz saber tudo sobre todos os moradores do local e que remete incessantemente a frase “Dê-me o que quero e eu irei embora”, causando pânico em todo mundo. Assim como Langoliers, Tempestade do Século está muito longe de ser ruim, pra ser honesto eu facilmente a colocaria no meu Top 10 adaptações do King. Por que refazer, então? Bom, primeiro que é uma minissérie de quatro capítulos, mas que em muitos lugares foi lançado como um filme de mais de quatro horas de duração, o que torna a obra um pouco inacessível. Segundo, é um suspense psicológico tão relevante e cheio de significados que uma outra visão só faria agregar a obra original. E eu consigo visualizar uma história assim nas mãos de caras como Jeff Nichols, ou quem sabe do concorrido Dennis Villeneuve. O público só teria a ganhar.

E aí, lembra de mais alguma adaptação do Stephen King que merece ser revisitada pelo Frank Darabont? Então deixe aí nos comentários.

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